
Apicultores criticam falta de apoio dos bombeiros
Os apicultores do concelho de Arouca manifestaram descontentamento com a falta de apoio por parte dos bombeiros na proteção das colmeias durante o incêndio florestal que devastou a região na semana passada. O fogo, que deflagrou no dia 28, consumiu cerca de 4.000 hectares e causou perdas avultadas no setor apícola.
Em declarações recolhidas pela agência Lusa, Mário Brandão, responsável pela Casa das Chãs, foi um dos afetados. Com cerca de 150 colmeias localizadas em Santa Eulália e Tropeço, duas das zonas mais atingidas pelas chamas, o apicultor lamenta a ausência de apoio dos bombeiros. «As colmeias ardiam completamente todas se eu não estivesse lá e amigos que me ajudaram», destacando que, no seu olhar, os “soldados da paz” «não têm preocupação com as abelhas».
Apesar do reconhecimento do trabalho dos bombeiros na defesa das habitações, o empresário considera que houve uma total falta de sensibilidade para com a apicultura. «Protegem as casas realmente, fazem um bom trabalho, mas quando peço aos bombeiros - que pedi a vários - para me tentarem ir lá botar um bocado de água nas abelhas todos se recusaram, porque dizem que não têm ordens para gastar água nas abelhas», afirmou.
João Martins, da empresa Apisfreita, perdeu 15 colmeias, além de mel e outros materiais apícolas. «Todos estes incêndios acabam por ser muito prejudiciais para toda a apicultura. Não só a quem é afetado diretamente, mas até quem fica indiretamente afetado, porque as florações que nós aqui temos, a urze e o eucalipto, são florações que não vêm em dois anos. Nós sabemos que esses próximos seis anos são anos de dificuldade para o concelho».
Apesar das dificuldades, João Martins diz que não pondera desistir desta atividade. «Talvez, a longo prazo, temos que repensar bem se justifica ter tanta quantidade ou temos que arranjar o trabalho principal e passar à apicultura como “hobby”».
O incêndio afetou também infraestruturas locais, como parte dos Passadiços do Paiva, um dos principais atrativos turísticos de Arouca. Embora apenas uma casa devoluta e algumas estruturas agrícolas tenham sido danificadas, o impacto económico e ambiental promete fazer-se sentir nos próximos anos.













