
Mercado de trocas dá segunda vida aos objetos
Diz-se que, ao contrário dos partidos ou dos casamentos, a fidelidade clubística é eterna e inabalável. Manuela é um caso raro, talvez único. É alguém que mudou de um clube para um clube rival. «Era do Porto, mas não gostava do Sérgio Conceição, e por isso mudei», conta. «Agora sou mais do Sporting». Na bagageira do carro desta mulher de 68 anos, porém, está depositado um pequeno armário com o emblema do Porto colado a um canto. «Não me importo», diz. Para o seu anterior dono, o móvel de madeira deixou de ter utilidade. Manuela vai usá-lo para guardar os seus utensílios de costura.
É para isto que serve o mercado de trocas que todos os meses se realiza no Ecocentro de Aveiro, na Zona Industrial de Taboeira. O que não tem préstimo para uns tem para outros. Aqui as transações fazem-se sem recurso a dinheiro. É troca por troca, produto por produto.
Este sistema permite a Manuela, à filha, ao neto e ao namorado saírem de Taboeira com o carro bem abastecido. Na mala já quase não cabe um alfinete.
Lá dentro foram arrumados, como peças de Tetris bem encaixadas umas nas outras, o armário, uma mala de viagem, um rolo para calafetar portas, peças de roupa, um livro de receitas e um aparelho de ginástica, entre outros tesouros encontrados na sala que o Ecocentro dedica a esta feira mensal. Quem lá vai comporta-se como os garimpeiros à procura de pepitas de ouro. «Uma vez», lembra Florbela, a filha de Manuela, «levámos um sofá».
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










