
Trabalhadores da TESCAP exigem reabertura do processo negocial para discutir reivindicações
Os trabalhadores da TESCAP, empresa de têxteis para automóvel em São João da Madeira, distrito de Aveiro, exigiram hoje a reabertura do processo negocial para discutir o caderno reivindicativo que apresentaram para 2025 e que foi negado pela empresa.
Durante um plenário realizado esta tarde, junto ao portão da empresa, na Zona Industrial da Devesa Velha, os trabalhadores decidiram solicitar uma reunião com a administração no início de setembro e a reabertura do processo negocial, disse à Lusa, Cristina Tavares, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil, Vestuário, Calçado e Curtumes (SINTEVCC) de Aveiro.
“A ideia é levar a empresa a sentar-se à mesa e discutir com o sindicato e a comissão de trabalhadores o conteúdo do caderno reivindicativo”, referiu a dirigente sindical, acrescentando que mediante a resposta, os trabalhadores vão reunir em plenário para tomar decisões.
A TESCAP, que pertence ao grupo da multinacional francesa Tesca, conta atualmente com cerca de 160 trabalhadores.
Entre as reivindicações apresentadas no caderno para o ano de 2025, está o aumento de salário base para todos os trabalhadores no valor de 50 euros, um aumento mínimo de 20,60 euros do prémio de antiguidade e o direito ao gozo do dia de aniversário.
O sindicato diz que, em resposta ao caderno reivindicativo, a empresa informou que os salários tiveram em janeiro de 2025 um aumento de 6,1% e que, em 2024, para além de aumento das remunerações, o subsídio alimentação teve um aumento de 27,2%.
Ainda de acordo com o sindicato, a empresa alegou que estas medidas implicaram um aumento de custos nas remunerações, com expressão superior à que era estimada, o que não permite satisfazer as solicitações apresentadas no caderno reivindicativo.
No entanto, o sindicato contrapõe estas afirmações, realçando que o aumento de salário de 6,1% teve como resultado o aumento do salário mínimo nacional e acrescenta que a empresa "limitou-se a aplicar a base legal mínima de rendimento".
O sindicato diz ainda que a empresa em 2025 não atualizou salários de forma a valorizar os trabalhadores, mantendo como base o salário mínimo nacional de 870 euros, não fazendo um esforço para avaliar e responder de forma positiva, mesmo a matérias que não envolvem diretamente o salário como, por exemplo, conceder o dia de aniversário.
“Esta intransigência da empresa deixou indignação, descontentamento e revolta nos trabalhadores”, refere o sindicato, considerando que se trata de uma empresa que “tem condições para melhorar salários”, bastando para isso, “uma melhor organização e mais justa distribuição da riqueza criada”.











