
Candidatos da CDU tentam travar entrega da saúde aos privados
Enquanto os meses de julho e agosto se caracterizarão por suspensões do funcionamento da urgência de ginecologia e obsterícia do Hospital de Aveiro, como a administração já anunciou e se verificou na semana passada, os candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal de Aveiro, Isabel Tavares e Nuno Teixeira, apontaram ontem soluções, por exemplo, no sentido do Governo se desviar do caminho da entrega do serviço aos privados.
Há ideias e soluções para impedir o encerramento desta urgência em Aveiro, além de outros problemas, mas a candidata à Câmara, Isabel Tavares, diz que não são executadas porque «as prioridades do Governo não são estabilizar ou melhorar o SNS, são privatizar, portanto, caem por terra as propostas que são apresentadas e que necessitam de investimento», disse em conferência de imprensa.
Por isso, diz que «não é por acaso que 50 por cento do orçamento do Estado para a saúde já vai para os privados».
É um processo de mudança do público para o privado que está em curso, descreve. As grávidas, «tendencialmente, procuram soluções alternativas à ausência de resposta no SNS e isso leva a que muita gente faça opções em procurar seguros de saúde no privado para ter uma resposta».
Para Isabel Tavares, «este é um objetivo que está implícito a todas estas questões e, no âmbito das urgências da obstetrícia e ginecologia, está a ser conseguido mas tem de ser desmontado porque o SNS tem de ter resposta para tudo».
De resto, diz, «os salários em Portugal não permitem a saúde privada e, mesmo que permitissem essa não era a solução», conclui.
Natalidade
A dificuldade em aceder ao serviço de urgência em Aveiro tem outros efeitos. Segundo Isabel Tavares, «quando se queixam da natalidade em Portugal, tem de haver uma resposta no SNS para a grávida e, depois, para a criança, e não podem descaraterizar, retirar valências e respostas, canalizando os utentes para o privado, isso tem de ser contrariado porque o SNS, tem de ter uma resposta que não olhe à carteira de quem procure um serviço médico».
A proposta da CDU é «manter o serviço público, uma melhor gestão e contratação de profissionais para poder fazer as escalas». É que, diz «não nos podemos queixar que faltam profissionais quando não lhes damos as condições para que se fixem e possam trabalhar em condições dignas». Há uma «ausência de condições e de mais valias em temos de remunerações».
A candidata à Câmara disse ainda aos jornalistas que, sendo eleita, será um tema «sempre que possível em cima da mesa com toda a convicção no sentido de apresentar propostas que possam resolver ou encontrar soluções para esta situação»
CDU na Assembleia
Nuno Teixeira, primeiro da lista da CDU à Assembleia Municipal, órgão que integra no atual mandato, atualmente presidida por Luís Souto, do PSD, candidato à Câmara, reclama «uma mudança de rumo do Governo para resolver a questão central que é a falta de médicos, enfermeiros, e não soluções de remendos, pensos rápidos que vão resolvendo».
Sobre a Câmara Municipal, atualmente liderada por Ribau Esteves, do PSD, «tem uma enorme responsabilidade de exercer pressão sobre o Governo», diz o elemento da CDU.












