
Uma manhã com Paulo Simões a aprender sobre a ria e o sal
Crocodilos na Ria de Aveiro? Sim, existem. Não são crocodilos reais, claro, mas uns animais artificiais que são postos a flutuar nas marinhas de sal para assustar os flamingos. Estas aves são tão majestosas quanto destruidoras das culturas de sal e é preciso afugentá-las para não prejudicar a produção. Os crocodilos de imitação são os espantalhos da ria, conta Paulo Simões, marnoto na Marinha de Santiago da Fonte. Foram pessoas da Universidade de Aveiro (UA), a proprietária da marinha, a propor este expediente com base na experiência de outras cidades produtoras de sal. «E a verdade é que resulta», conta o homem de 58 anos, o cuidador, juntamente com o irmão João, de 66 anos, de uma das últimas marinhas de sal ativas em Aveiro.
Paulo retira um cigarro do maço e leva-o à boca, enquanto nos conduz até um barracão de madeira à entrada da marinha para nos mostrar os crocodilos postiços, pousados numa prateleira. «Este com a boca aberta», conta, «é o que os assusta mais».
Aprende-se muito com estes homens. Têm uma experiência acumulada de tantos anos que são as pessoas que mais sabem sobre a ria. Paulo, um cagaréu da beira-mar, estudou até aos 18 anos, mas ocupava as férias de verão nas marinhas, ao lado do pai, o marnoto José Simões dos Reis. «Andou nesta vida até aos 84 anos», conta; morreu dois anos depois. «Aprendi tudo com ele», recorda.
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