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Misericórdia de Vale de Cambra tem projeto de 3,2 milhões para habitação sénior colaborativa

Depois do primeiro ter ficado deserto, em fevereiro passado, o novo concurso público tem um valor base de adjudicação 200.000 euros acima do anterior

A Santa Casa da Misericórdia de Vale de Cambra tem a decorrer o concurso público para construção de um projeto habitacional que, na ordem dos 3,2 milhões de euros, prevê moradias colaborativas para seniores com autonomia funcional.
Segundo revelou a instituição do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o modelo em causa permite que seniores em situação vulnerável, mas ainda física e socialmente autónomos, possam viver em residências que, sem lhes restringir a devida independência, beneficiarão de espaços e serviços comuns.
«O público-alvo desta respos­ta será, previsivelmente, a população mais vulnerável do concelho, em particular pessoas idosas com autonomia fun­cional», revelou à Lusa fonte da Santa Casa.
A mesma fonte adiantou que «o modelo habitacional prevê a construção de moradias T1 e T2, organizadas de forma a promover a vida comunitária, pelo que os residentes partilharão espaços comuns, assumindo em conjunto responsabilidades relacionadas com a limpeza, manutenção e organização do espaço».
Parte dessa componente colaborativa e comunitária será assegurada pela própria Misericórdia, com recurso a um qua­dro de pessoal «bastante reduzido». Está previsto, aliás, que este modelo habitacional exija apenas um diretor técnico, «que assegurará o acompanhamen­to global do projeto», cabendo depois a parceiros locais assegurar as atividades de «lazer e tempos livres dos residentes».
O primeiro concurso público para o efeito foi lançado em fevereiro deste ano e «ficou deserto», pelo que o procedimen­to atual tem agora um valor base de adjudicação 200.000 euros acima do anterior. A componente de financiamento comunitário, por sua vez, mantém-se na ordem dos 1,88 milhões de euros. Se houver candidatos válidos e a empreitada arrancar antes do final de 2025, a expectativa é que, dado o prazo de execução de um ano, as novas habitações - a criar na freguesia de Codal - possam ser ocupadas no final de 2026 ou início de 2027.
À Lusa, a Santa Casa de Vale de Cambra garantiu que assume o projeto «com o empenho e sentido de missão que sempre a caraterizaram», mas admitiu algumas cautelas. «Há uma natural preocupação face ao contexto nacional e internacional, marcado por incertezas económicas, escassez de mão de obra e prazos extremamen­te curtos para a execução de obras com grande exigência técnica e financeira».
A prioridade da instituição, em todo o caso, continua a ser contribuir para a comunidade local «com soluções inovadoras e sustentáveis que melhorem a qualidade de vida da população mais vulnerável».

Julho 2, 2025 . 10:00

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