
«Mercado interno cresce todos os anos na região, de uma forma muito consistente»
Diário de Aveiro: Quais são, atualmente, os maiores desafios do turismo interno na região Centro?
Rui Ventura: Antes de mais, é importante clarificar o que é o turismo interno. Turismo interno, também conhecido como turismo doméstico, refere-se às atividades turísticas que ocorrem dentro do próprio país, onde os turistas viajam de um lugar para outro dentro do território nacional. Muitas vezes, confunde-se turismo interno com turismo do interior, questões que, ainda que se toquem, não devem ser confundidas.
Dito isto, é fácil olhar para a realidade da região Centro de Portugal, a maior e mais diversa região turística nacional, e deduzir os nossos maiores desafios. Desde logo, a melhoria das acessibilidades, tanto viárias como ferroviárias. Sem uma boa rede de transportes, não é possível garantir a homogeneidade dos fluxos turísticos, por toda a região. É importante garantir que um turista que chega, por exemplo, aos aeroportos de Lisboa e do Porto, tenha a capacidade de, sem dificuldades e de forma fluida, viajar para o restante território nacional. E aqui surge um outro grande desafio: combater a litoralização do turismo. A captação de investimento para os territórios do interior – com a criação de emprego, que permitirá, entre outras questões, fixar população -, dependerá sempre das infraestruturas que possam ser criadas e de discriminação positiva para as empresas e os empresários, nomeadamente, ao nível de benefícios fiscais. Temos como ambição aumentar a oferta turística, em particular, ao nível da hotelaria, qualificada e com elevados parâmetros de qualidade, que permita aumentar a oferta de valor. É nosso objetivo, garantir a sustentabilidade da região, medindo o sucesso do setor na região, não em dormidas, mas em indicadores de rentabilidade.
O que podemos esperar deste Fórum Vê Portugal?
Esta é uma edição que se reveste de particular significado. Em primeiro lugar, porque é o meu primeiro “Vê Portugal”, enquanto presidente da Turismo Centro de Portugal. Em segundo, porque é a primeira edição que reúne na organização as cinco entidades regionais de turismo (Porto e Norte, Centro de Portugal, Lisboa, Alentejo e Ribatejo e Algarve), numa ambição deste ser “o fórum das regiões”. Por isso, o que verdadeiramente se poderá esperar é o debate das questões comuns às entidades regionais, mas também as particularidades de cada uma, dado que haverá um painel dedicado por região. E este é, verdadeiramente, o aspeto mais distintivo desta edição. Debater-se-á o turismo interno, mas também aspetos como a internacionalização da marca “Portugal”, à luz do atual contexto geopolítico mundial. Não faltará o já tradicional painel que reúne todos os presidentes das Entidades Regionais de Turismo, que procurará apontar soluções para a revisão da Lei 33/2013, entre outros aspetos fundamentais para a ambição que reveste estas instituições. E, se me permite, o reconhecimento do mérito do trabalho desenvolvido.
Quando estamos à porta da apresentação da “Estratégia Turismo 2035”, o tema deste ano é exatamente esse: “O turismo interno na estratégia turismo 2035”. Porque o turismo interno, pelo papel e importância que assume no país, merece atenção, debate e propostas de medidas, concretas e exequíveis, para ser reforçado e valorizado. Haverá espaço para ouvir as associações do setor e os empresários, pilares fundamentais de toda a estratégia.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:












