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“Fracassos da Corte”, um olhar sobre a vida de Joana

Numa encomenda da Diocese de Aveiro, a peça parte de um texto do século XVI escrito em Itália, sobre a vida da Princesa Joana de Portugal

A peça de teatro que estreou no ano passado, por ocasião das comemorações do Jubileu dos 600 anos da primeira pedra da Catedral de Aveiro, pela mão da companhia Start-Teatro, e que esgotou totalmente o Cine-Teatro de Estarreja, chega agora à cidade de Aveiro. Sábado e Domingo, às 21.30 e 17 horas, respetivamente, a peça sobe ao palco do Estaleiro Teatral, sendo a terceira vez que a peça será apresentada ao público desde que o original (em toscano antigo) foi descoberto pelo diretor do Museu de Aveiro – Santa Joana, António Rebocho Christo. Traduzida, a pedido da Comissão Diocesana da Cultura|Aveiro, pelo Padre Franclim, a peça foi editada pela Tempo Novo e levada à cena, pela primeira vez, no Auditório do Seminário de Aveiro em 2017.
Este espetáculo conta a história da Princesa Joana de Portugal, herdeira do trono, que desafiou as expectativas da Corte e do povo ao escolher a vida religiosa em vez do casamento com o Delfim de França. Senhora de grande fortuna e beleza, Joana preferiu penitências a joias e a sua profunda devoção levou-a a renunciar ao poder e à riqueza para seguir a sua vocação, no convento de Aveiro, apesar de inúmeras pressões por parte da família e do pretendente. Assistimos, assim, a uma “Corte que fracassa”, uma vez que não consegue cativar a Princesa, nem sobrepor-se aos desígnios divinos.

Liberdade criativa
É entre princesas e reis, bobos e pretendentes, cortesãs e confidentes que a peça “Fracassos da Corte” acontece,com uma história inspiradora sobre fé, coragem e a busca pela felicidade. A propósito, Cláudia Stattmiller, encenadora e dramaturga, destacou o facto da Diocese, ao fazer-lhe a encomenda «deu-me carta branca para a criação da dramaturgia, sendo este um tema sério e até sensível», o que a deixou muito lisonjeada, «deram-me liberdade criativa e um grande voto de confiança».
Com 12 atores, a peça é indicada para maiores de oito anos, tem a duração de uma hora e pouco e já tem a bilheteira aberta. Relativamente a expetativas, Cláudia Stattmiller avança que é uma peça divertida, com muitos momentos cómicos e leves, mas tendo por base um pedaço importante da história de Aveiro, acrescentando que esta deverá ser a última oportunidade de se assistir a “Fracassos da Corte”. Sobre o texto da peça, explicou que data do século XVI e foi escrito pelo frade dominicano Giovanni Maria Muti, em Itália. Escreveu diversas peças de teatro, principalmente sobre temas religiosos e esta que é considerada a sua obra mais importante, foi sobre o percurso de vida da Princesa Joana de Portugal, oferecendo um olhar singular sobre a religiosidade e os conflitos sociais da época

Maio 15, 2025 . 08:00

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