Última Hora
Pub

Esta sexta-feira é lançado “City Walk”, que não é um disco qualquer

É o primeiro disco publicado pela Arte no Tempo enquanto editora independente e reúne obras para percussão compostas ao longo de dez anos por João Pedro Oliveira

Esta sexta-feira, o segundo dia dos Reencontros de Música Contemporânea, resume-se ao lançamento de um álbum discográfico, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense, pelas 19 horas, que, note-se, não é um disco qualquer. A apresentação conta com música ao vivo e a presença do compositor por videoconferência.
“City Walk: Nuno Aroso plays João Pedro Oliveira” é o primeiro disco publicado pela Arte no Tempo enquanto editora independente (AnTaural) e reúne obras para percussão compostas ao longo de dez anos (2011 - 2021), por João Pedro Oliveira (Lisboa, 1959), antigo professor da Universidade de Aveiro (UA), com a particularidade de todas elas terem sido estreadas por Nuno Aroso, em contextos diversos, avança nota informativa remetida ao Diário de Aveiro.
Por falar em Nuno Aroso, o projeto parte precisamente deste percussionista e docente no Departamento de Comunicação e Arte da UA, onde não chegou a cruzar-se com João Pedro Oliveira, que entretanto se mudou para o Brasil, ocupando atualmente a cátedra Corwin Endowed em Composição, na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Com um apoio inicial da Fundação GDA para a gravação, que foi realizada por Carlos Lopes, na Casa da Música e no Espaço Limina, entre dezembro de 2022 e junho de 2024, o registo conta também com a participação de alunos e ex-alunos congregados no âmbito do Clamat - coletivo variável: um laboratório para a pesquisa, difusão e desenvolvimento da percussão em que Nuno Aroso introduz os seus “aprendizes” no meio profissional e que se estreou em público na bienal de eletroacústica da Arte no Tempo (2020).
A peça-título, “City Walk”, foi composta em 2020, por encomenda da Arte no Tempo, com financiamento da Direção-geral das Artes, para o espetáculo “A Fog Machine e outros poemas para o teu regresso”, que Nuno Aroso e João Reis levaram à cena em 2021, com texto de Gonçalo M. Tavares e estreado no Teatro Aveirense.
Escrita para um só percussionista (Nuno Aroso), “City Walk” delega nas mãos do intérprete a escolha dos instrumentos, que podem ser os mais variados objectos metálicos, desde que correspondam a oito alturas diferentes, podendo ainda utilizar-se diferentes conjuntos de oito sons, para maior diversidade tímbrica. “In the House of the Glass King” (2021), para vibrafone (Aroso), marimba (Henrique Ramos), trio de percussão (Bernardo Cruz, João Pedro Lourenço e Vitória do Bem) e eletrónica, é provavelmente o maior testemunho da influência do rock de que o compositor se ocupava na adolescência. O título da peça deriva de uma combinação de palavras de “In the Court of the Crimson King”, “House of Rising Sun” e “In a Glass House”.
Estreada por Nuno Aroso em Florença, a peça mais antiga do disco é “Vox Sum Vitae” (2011), para vibrafone e eletrónica fixa. O compositor define-a como uma representação da imagem sonora que reteve de uma manhã em que, na Alemanha, foi acordado por centenas de sinos que chamavam para o culto eclesiástico. Encomendada pelo Atelier de Composição, a peça vai buscar o título a uma inscrição de um sino em Estrasburgo. O disco contém ainda “Bridges and Gardens” (2016), para quatro percussionistas, dirigida por Aroso, tanto no disco como na estreia, e “Broken Loops” (2013), para dois percussionistas. Com imagem gráfica de Carlos Santos e um libreto bilingue de 16 páginas, o álbum inclui ainda uma fotografia de Elsa Arrais.
A Arte no Tempo é uma estrutura com sede em Aveiro, apoiada pela República Portuguesa - Cultura/Direção- geral das Artes.

Maio 15, 2025 . 20:59

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right