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«Não se trata de esquecer, mas de aprender a viver melhor com a dor»

Padre Mateo Bautista, “arquiteto” da Pastoral do Luto, visitou Aveiro para acompanhar de perto a preparação do primeiro grupo de apoio mútuo a famílias enlutadas, que abrirá as suas portas em Esgueira

A Pastoral do Luto, criada pelo padre camiliano Mateo Bautista, está a chegar à região de Aveiro. A iniciativa, que tem sido um sucesso na América Latina e em Espanha, chega agora a Esguei­ra, onde a paróquia irá acolher o primeiro grupo de ajuda mútua de Portugal, que arranca em setembro. A iniciativa, que há décadas vem transformando vidas em vários países, tem como objetivo apoiar quem enfrenta a morte de um ente querido, promovendo um caminho de reconstrução pessoal e espiritual.

Em entrevista ao Diário de Aveiro, o padre Mateo Bautista, mentor deste programa de a­poio ao luto, e Ana Soares, futu­ra coordenadora do grupo em Esgueira, que encontrou um novo sentido nesta pastoral a­pós a morte do filho, explicam a razão e o impacto des­ta iniciativa em centenas de pessoas enlutadas.

“Tabuização” da morte

Para o padre Mateo Bautista, a raiz do sofrimento profundo está muitas vezes na incompreensão. «O sofrimento é uma crise do não entender. O que aconteceu? Por que aconteceu? Por que aconteceu a alguém tão bom?... A pastoral do luto procura, precisamente, romper com o silêncio e a solidão, crian­do espaços onde é possível falar, escutar, partilhar e cicatrizar», destacou.

O padre também refere a e­xistência de uma “tabuização da morte” na sociedade. «Na nos­sa sociedade a morte é tabu. Não se diz “morreu”, diz-se “per­deu-se”, como se a pessoa fosse um objeto. Mas a morte tem de ser nomeada, compre­endida, integrada. Se não aceitarmos a realidade, não a pode­mos transformar», defen­de o sacerdote.

Grupos de ajuda mútua

A Pastoral do Luto atua através de grupos compostos por pessoas que vivem ou viveram um processo de luto. São orientados por coordenadores capacitados e muitos deles passaram por perdas profundas. Segundo o sacerdote, este é um dos pilares da eficácia da pastoral, que, segundo avançou, tem uma ta­xa de mais de 90 por cento de pessoas que se sentem genuinamente ajudadas no seu processo de luto. «É uma terapia de grupo, mas com coração. Ver alguém que passou por isto e está bem é a maior prova de que há um caminho possível», salienta.

 

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Maio 14, 2025 . 07:45

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