
«Epá, este gajo tem de ser posto na linha, meu»
Um microfone ligado traiu, desta vez, o presidente da Câmara de Ovar, Domingos Silva (PSD), que, em reunião da assembleia municipal, disse, sobre Fernando Camelo Almeida, independente: «Epá, este gajo tem de ser posto na linha».
Domingos Silva fazia aquele apelo ao presidente da Mesa da Assembleia Municipal, Braga da Cruz, que tinha acabado de suspender os trabalhos no momento em que Fernando Camelo Almeida queria fazer uma intervenção usando a figura de “defesa da honra”.
Os trabalhos foram suspensos, Braga da Cruz levantou-se, virou-se para o executivo e ouviu a frase de Domingos Silva, que, notando o microfone ligado, desligou-o imediatamente a seguir.
Fernando Camelo Almeida lamenta o «rir à gargalhada», como o fez Braga da Cruz, quando lhe foi pedida uma intervenção em “defesa da honra”, na sequência de uma intervenção do presidente da câmara. O riso e a suspensão dos trabalhos por Braga da Cruz, «tem muito que se lhe diga» e a frase «epá, este gajo tem de ser posto na linha, meu», «revela bem a falta de cultura democrática e de respeito».
A frase dita acabou por ser ouvida por todos os que seguiam a reunião “online”, ou ouviram mais tarde, dado que o registo da reunião ficou disponível nas redes sociais.
«Conversa particular»
O Diário de Aveiro contatou, ontem, o presidente da câmara, que justificou a frase dita pela «agressividade» e «desrespeito» com que Fernando Camelo Almeida se dirigiu à Mesa da Assembleia. Domingos Silva ficou «indignado» com aquele comportamento e daí ter dito a frase.
Admite que o seu microfone «não deveria estar ligado», mas ressalva que disse a frase após Braga da Cruz ter suspendido os trabalhos da assembleia. Por isso, conclui que se os trabalhos estavam suspensos, a frase inclui-se numa «conversa particular».
Para o líder da autarquia, a questão agora colocada por Fernando Camelo Almeida «é um “fait divers” que não engrandece a democracia».













