
Reencontros de Música Contemporânea estão de volta ao Teatro Aveirense
Faltam menos de quatro semanas para o arranque da 5.ª edição dos Reencontros de Música Contemporânea (RMC), bienal da Arte no Tempo realizada em coprodução com o Teatro Aveirense, agendada para entre 15 e 25 de maio. Com 11 concertos (solistas, música de câmara, orquestra), um seminário, uma caminhada aural e um estágio de interpretação de música mista para estudantes de música dos níveis básico e secundário, os RMC voltam a celebrar a mais recente criação musical em diálogo com a tradição de que somos herdeiros, refere nota informativa recebida pelo nosso jornal.
O Teatro Aveirense volta a ser palco para a arte musical contemporânea, com um programa que reúne dois recitais de solistas, um concerto com orquestra e oito recitais de música de câmara com propostas bastante diversas.
O primeiro fim de semana aponta para o futuro, com o primeiro concerto do Talea (trio de jovens percussionistas que apresentam uma proposta musical bem contemporânea, com música de Ricardo Ribeiro, Pedro Berardinelli, Inés Badalo e uma estreia absoluta de Luís Antunes Pena); o lançamento da primeira edição discográfica da Arte no Tempo enquanto selo editorial, que reúne cinco obras para percussão de João Pedro Oliveira interpretadas por Nuno Aroso e o Clamat -coletivo variável; um recital de violoncelo solo com Gonçalo Lélis (violoncelista do ars ad hoc e da Orquestra Gulbenkian); um recital de música de câmara em que se estreia uma obra de Nádia Carvalho composta para o Re:flexus Trio, para um programa em que se apresenta um trio que Kurtág escreveu na sequência de um trio de Schumann, que também será interpretado; um concerto comentado para famílias, em que o ars ad hoc, numa formação de quinteto pierrot, dá a escutar modernistas como Stravinsky e Debussy em confronto com música de Iannotta, López López e Berardinelli; acabando com o concerto que encerra o estágio Nova Música para Novos Músicos, este ano dirigido por Carlos Lopes, que estreia uma obra para conjunto e eletrónica de João Moreira.
Mas se o primeiro fim de semana inclui quatro obras antigas (Bach, Schumann, Debussy e Stravinsky), o segundo abre espaço para as efemérides. Luís Salomé apresenta obras de Boulez e de Berio (figuras maiores do século XX, de quem este ano se comemora o centenário do nascimento) em confronto com música de Inés Badalo e de João Moreira (deste último, uma estreia absoluta); a Orquestra das Beiras assinala o 150.º aniversário do nascimento de Maurice Ravel (1875 - 1937) e ocupa-se da estreia nacional do concerto para piano de Inés Badalo (na verdade, estreia absoluta da versão para orquestra clássica), com João Casimiro Almeida ao piano, sob a direção de Carlos Lopes; e o Art’Ventus Quintet reúne um dos quintetos de Luciano Berio (1925 - 2003) a música de Luís Carvalho e Marta Domingues, além da estreia de uma obra que Michele Allegro escreveu para a ocasião.
Também do mundo da nova música chegam-nos as propostas do agrupamento alemão hand werk, que regressa a Aveiro após um memorável concerto em outubro de 2021 (no âmbito do ciclo Tubo de Ensaio), e do ars ad hoc, grupo de música de câmara da Arte no Tempo que encerra a bienal com um programa de quarteto de cordas, compreendendo música de Mariana Vieira (presente no álbum discográfico do grupo, prestes a sair), Isabel Soveral e Oscar Bianchi.
O programa dos RMC completa-se com um seminário com o compositor Oscar Bianchi, sobre cuja música o ars ad hoc se tem debruçado ao longo da presente temporada, e uma caminhada aural, este ano da autoria de Tomás Quintais, que ficará depois disponível para exploração autónoma.











