
CCD Salreu celebra 35 anos, mas enfrenta desafios para o futuro
O Centro de Cultura e Desporto de Salreu (CCD Salreu) celebra, este ano, o seu 35.º aniversário e, apesar dos desafios atuais, continua a ser um pilar essencial na dinamização da comunidade. O presidente da coletividade, António Esteves, partilhou em entrevista a história, os desafios e as aspirações para o futuro da instituição.
Uma nova oportunidade do desporto em Salreu
Criado em 1990, o CCD Salreu sempre teve um forte vínculo ao desporto e à cultura local. Durante 30 anos, manteve uma equipa de futebol de 11 a competir na liga do Inatel, mas atualmente a modalidade deixou de fazer parte das atividades do clube. «Neste momento temos só o basebol e o bilhar Pool», explica António Esteves, revelando uma aposta menos convencional para uma coletividade deste género.
O basebol surgiu como uma resposta à crescente comunidade de venezuelanos residentes em Salreu, muitos deles com ligação à modalidade. O projeto revelou-se um sucesso, tendo a equipa sido vice-campeã em 2023 e campeã em 2024 na Liga Atlântica Portuguesa. «No início, nem nós percebíamos as regras do jogo, mas fomos aprendendo com os jogadores», comenta o presidente, destacando o impacto positivo da iniciativa na integração da comunidade imigrante.
Para além do desporto, a coletividade organiza eventos culturais e recreativos, sendo um dos mais conhecidos a Descida do Rio Antuã. «Começou como uma brincadeira e, ao mesmo tempo, uma forma de limpar o rio que estava obstruído com troncos e árvores», explica António Esteves. Hoje, o evento tornou-se um verdadeiro festival aquático, onde os participantes criam embarcações originais e competem em diversas categorias, incluindo a mais divertida e a mais ecológica.
O CCD Salreu também participa ativamente nas festas locais, como o São Martinho e o Encontro de Veleiros, sempre em colaboração com a junta de freguesia.
Falta de jovens nas coletividades
Apesar do sucesso das suas iniciativas, o CCD Salreu enfrenta um problema que é comum a muitas associações: a falta de novas gerações dispostas a assumir responsabilidades. «Os jovens de hoje estão mais virados para as redes sociais e menos interessados em fazer parte de coletividades. Dirigir uma coletividade não dá rendimento, é por carolice, e há cada vez menos pessoas dispostas a investir o seu tempo nisso», lamenta António Esteves ao Diário de Aveiro.
O núcleo da direção conta atualmente com cerca de dez pessoas, um número insuficiente para manter todas as atividades. «O que estamos a ver é que muitos querem participar nos eventos, mas poucos querem assumir a gestão e o trabalho que isso implica», refere.
Um futuro com novas ideias
Para o futuro, a prioridade é continuar a diversificar as atividades e atrair mais pessoas para a coletividade. O futebol, apesar de ser um desporto popular, exige uma estrutura e recursos que o CCD Salreu não tem no momento. No entanto, António Esteves não descarta a possibilidade de novas iniciativas, como encontros hípicos e outras atividades recreativas.
Recentemente, o trabalho da coletividade foi reconhecido com a Medalha de Mérito da Freguesia, atribuída pela Junta de Salreu. «Acredito que foi pelo nosso percurso e dedicação ao longo destes 35 anos», afirma António Esteves.
Para terminar, António Esteves deixa um apelo aos jovens: «As coletividades precisam de sangue novo, novas ideias e dinamismo. Seria bom que os jovens percebessem a importância destas associações para a comunidade e que participassem mais ativamente. O trabalho que fazemos é para todos, e quanto mais gente se envolver, mais podemos crescer».











