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Covid-19: PM destaca esforço dos portugueses e "notável trabalho" dos profissionais de saúde


foto: LFC/Arquivo quinta, 30 abril 2020

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que “graças ao esforço de contenção e disciplina” dos portugueses e do “notável trabalho” dos profissionais de saúde foi possível que a pandemia evoluísse num sentido positivo ao longo destes dois meses. “Estas últimas semanas têm parecido uma eternidade, mas a verdade é que no próximo sábado passam dois meses desde que foi diagnosticado em 2 de Março o primeiro caso de Covid-19 em Portugal”, afirmou António Costa na conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, após o Governo aprovar o plano de transição do estado de emergência para o estado de calamidade.

O primeiro-ministro começou por explicar porque é que o Governo mudou o estado de emergência, que cessa no sábado, para o estado de calamidade, que tem início no domingo. “Ao longo destes dois meses foi possível ir acompanhando o dia-a-dia, a evolução desta pandemia e graças ao esforço de contenção e disciplina dos portugueses e do notável trabalho de todos os profissionais de saúde foi possível que a pandemia registasse uma evolução num sentido positivo ao longo destes dois meses”, sublinhou.

O chefe do Governo recordou que, quando foram adoptadas as primeiras medidas, Portugal tinha “o risco de uma curva de crescimento exponencial” da pandemia que “contrasta claramente” com a evolução do número de casos efectivos que têm sido registados país.

Ao longo deste período, salientou, foi também possível verificar-se “uma redução significativa do risco de transmissibilidade da doença que chegou a atingir um valor de 2,53”, o que quer dizer que uma pessoa infectada podia contaminar pelo menos “mais duas pessoas e meia”.

Nos últimos cinco dias, o risco de transmissibilidade da doença tem tido uma média de 0,92 e “todas as regiões do país têm neste momento um R0 abaixo de 1, ou seja, o risco de cada doente contaminar outra pessoa é de 0,92”.

Segundo o primeiro-ministro, esta diminuição do risco também tem sido evidenciada pela evolução da curva dos casos diagnosticados e notificados: “Durante longo período, a tendência foi ascendente e agora consistentemente tem vindo a ter uma tendência decrescente”.

“A partir de meados de Março fomos tendo uma quebra significativa da tendência de novos casos notificados”, que têm continuado a diminuir, apesar ter “aumentado muito significativamente ao longo deste período o número de testes realizados”. 

De acordo com o governante, a percentagem de casos positivos relativamente aos testes realizados é neste momento de 5,5%. “Isto significa que o número de pessoas que são testadas por terem sintomas, por terem receio ou por terem tido algum contacto com alguém contaminado é muitíssimo superior ao número de pessoas que efectivamente têm estado contaminadas”, salientou.

Esta evolução é também consistente com a evolução do número de casos internados por covid-19, que atingiu “o valor máximo de 1.302 pessoas no dia 15 de abril”, tendo vindo a diminuir consistentemente desde então.

Também o número de internados nos cuidados intensivos tem vindo a descer de forma consistente ao longo destas últimas semanas, disse António Costa, destacando também a estabilização do número de óbitos e o aumento de “forma consistente” do número de doentes recuperados.

“Se olharmos para o número mais trágico desta pandemia que é o número de óbitos verificados, nós também podemos constatar, com oscilações naturalmente diárias que atingimos já uma estabilização no número de óbitos que têm vindo a ser verificados”, vincou.

“Perante esta realidade, o senhor Presidente da República entendeu e o Governo apoiou que não se justificava renovar mais uma vez o estado de emergência”, sublinhou António Costa.

Portugal regista hoje 989 mortos associados à Covid-19, mais 16 do que na quarta-feira, e 25.045 infectados (mais 540), indica o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direcção Geral da Saúde.

O país vai entrar em situação de calamidade a partir de domingo, depois de ter estado em estado de emergência desde 18 de Março.