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Autarcas consideram “um mal necessário” o cancelamento do Rali de Portugal


quinta, 30 abril 2020

O cancelamento do Rali de Portugal vai provocar um impacto “profundamente negativo” na economia local, mas os autarcas das regiões afectadas reconheceram, em declarações à Lusa, tratar-se de “um mal necessário”, devido à pandemia de covid-19. “O impacto, apesar de ser difícil de quantificar com precisão, é profundamente negativo, mas percebemos que é um mal necessário. Afinal, não podemos realizar o Rali de Portugal à porta fechada”, observou José Luís Gaspar, presidente Câmara Municipal de Amarante.
A prova, a quinta prova do Campeonato do Mundo de ralis de 2020, que deveria realizar-se entre 21 e 24 de Maio, foi inicialmente adiada, sem data marcada, e, já hoje, o Automóvel Club de Portugal (ACP) anunciou o cancelamento. “O Rali de Portugal é uma das provas mais emblemáticas do desporto nacional e que tem um impacto mundial. Temos muita pena, mas percebemos que na conjuntura actual a prova tinha de ser cancelada, uma vez que atrai milhares de pessoas, de vários países”, assinalou José Luís Gaspar.
O presidente do município de Amarante, o palco previsto para a etapa mais longa do Rali de Portugal de 2020, notou que “os concelhos que deveriam acolher troços serão os mais penalizados, mas também os concelhos vizinhos e, de uma forma mais abrangente, toda a região Norte”.
“O sector do turismo caiu para zero e o turismo associado ao rali é mais maduro, mais conhecedor, feito por pessoas que gostam de apreciar boas refeições e estadas em bons hotéis. E que chega com alguma antecedência e costuma ficar um pouco mais após a passagem da prova”, explicou José Luís Gaspar.
O presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, também reconheceu que a pandemia de covid-19 retirou “todas as condições para o Rali de Portugal se realizar”, até porque costuma atrair milhares de cidadãos espanhóis, alertando para o “impacto indirecto” que o cancelamento da prova provocará. “O Rali de Portugal é o evento com maior impacto na região. Há um impacto directo na economia local, mas há também um impacto indirecto - mediático e promocional -, que é mais substancial. No ano passado, os estudos que fizemos apontam para um valor de 2,6 milhões de euros, apenas em Arganil”, disse Luís Paulo Costa à Lusa.
O presidente da câmara de Arganil, um dos locais de passagens mais reconhecidos do rali, lamentou a perda do “efeito dinamizador na hotelaria e restauração”, mas lembrou que serão os sectores com “regras mais restritivas no regresso à actividade”, pelo que o cancelamento da prova, “feito em coordenação com o ACP”, tornou-se uma inevitabilidade.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Lousada, Pedro Machado, salientou que a decisão resultou da “articulação entre os municípios e o ACP” e do consenso que o adiamento para Outubro “seria muito arriscado” e que seria “mais seguro cancelar a prova, apesar do impacto económico muito negativo”. “É um evento que proporciona um enorme retorno. A região e o país perderam muitos milhões, mas o que seria um problema brutal em circunstâncias normais, assume agora uma importância relativa, porque há coisas muito mais preocupantes”, sustentou Pedro Machado, em referência aos efeitos da pandemia.
No comunicado em que anunciou o cancelamento da edição de 2020 do rali, o ACP assinalou que a mais importante prova de desporto automóvel que se realiza em Portugal foi “responsável, em 2019, por um impacto na economia nacional superior a 142 milhões de euros”.