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Presidente da Associação Comercial defende uma “abertura o mais responsável possível”


Liliana Figueiredo quinta, 30 abril 2020

Pequeno comércio 

Gualter Mirandez, presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu espera que a reabertura do comércio comece a ser feita com medidas restritas de higienização que terão de ser cumpridas


O pequeno comércio pode vir a reabrir as portas no dia 4 de Maio, já que devido à pandemia do covid-19 viu-se obrigado a fechar portas. Esta é uma decisão que Gualter Mirandez, presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu considera “que não é precipitada”. 

“Sou da opinião que o comércio, a economia em geral, deve reabrir o mais rápido possível, mas temos de abrir com o máximo de segurança possível. Por isso é que estamos a aguardar que o primeiro-ministro divulgue que tipo de comércio é que poderá já abrir no dia 4. Fala-se em lojas de pequena dimensão, mas isto ainda é tudo muito vago. Os cabeleireiros e salões de beleza vão abrir no dia 4 mas salvaguardando as condições de segurança. A partir daí estamos todos na expectativa sobre quais as lojas é que poderão abrir. Creio que tudo o que não seja de primeira necessidade tão rapidamente não vai abrir. Os restaurantes e hotelaria só vão abrir no dia 18 de Maio. No princípio de Junho abrirá provavelmente o resto do comércio. Vai ser uma abertura faseada, com um espaço de abertura de 15 dias, para salvaguardar a quarentena e para se saber em que condições de segurança estão a fazer a abertura”, explica.
Gualter Mirandez esteve na passada sexta-feira, com o primeiro-ministro António Costa, em representação da associação comercial. “Reunimo-nos para falarmos sobre a reabertura o mais responsável possível. Nós temos sido dados como exemplo da maneira cívica e muito responsável. De uma maneira geral todas as pessoas têm aceitado e cumprido as regras que a Direcção-Geral da Saúde tem vindo a falar e que de alguma foram impediu uma extensão muito maior do vírus. Na minha opinião não faria sentido estarmos a abrir sem cuidarmos mais uma vez da maneira como vamos abrir”, afirma.
Gualter Mirandez diz ainda estar convencido que se a reabertura correr bem, “no princípio de Junho teremos praticamente todo o comércio aberto”.
Questionado sobre o estado actual do comércio em Viseu, o presidente da associação diz que neste momento ninguém poderá responder a isso.
“Estamos todos muito necessitados que a economia funcione, aliás neste momento ninguém poderá dizer como a economia vai abrir, como vai reagir, só depois de efectivamente a situação estar normalizada é que podemos saber as consequências que esta pandemia trouxe”, realça.
“Ninguém hoje sabe com rigor o estado económico das empresas. Não há dúvida que no início do ano notávamos uma pequena retoma, é verdade. Mas uma coisa é certa, as empresas estão descapitalizadas, a esmagadora maioria das micro e pequenas empresas geriam o seu dia-a-dia para irem satisfazendo os seus compromissos, não tinham capital acumulado e muitas delas têm compromissos bancários. Temos de nos lembrar que andamos desde 2008/ 2009 até praticamente há pouco tempo em recessão. As empresas vão sentir e muito. Só quando voltarem ao activo é que vamos reparando e apercebendo quais foram os danos que esta pandemia trouxe”, acrescenta.
Sobre o cumprimento das regras de higienização, Gualter Mirandez não tem dúvidas que os estabelecimentos comerciais terão “obrigatoriamente de as cumprir”.
“Temos de ser rigorosos e, acima de tudo, temos de salvaguardar a saúde, quer dos nossos colaboradores, quer dos clientes.
Quantos aos restaurantes, que também têm sido afectados fortemente por esta pandemia, o início prevê-se bastante difícil.
“Ninguém pode garantir se vão ter ou não clientes. Creio que no início as pessoas vão ter algum cuidado em frequentar estabelecimentos ou estar em locais onde vão estar várias pessoas juntas. Não acredito que a restauração vá ter nos primeiros dias enchentes, até pelas normas de distanciamento que vão ser obrigados a cumprir”, diz.
Gualter Mirandez alerta ainda para a necessidade de todos cumprirem a sua quota parte da responsabilidade.
“Temos de ser bastantes responsáveis nesta fase porque, quase de certeza, que vai haver uma segunda pandemia. É dito por todos, nomeadamente pela comunidade científica. Agora de que grau é que essa segunda pandemia vai ser ninguém sabe. Mas é fundamental sabermos porque se é uma pandemia mais leve naturalmente que nos vamos aguentar melhor, mas se é bastante forte será um grande problema e ninguém sabe o dia de amanhã”, deixa o alerta.

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