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Grupo de emergência angariou 4.800 euros para adquirir material


José Alberto Lopes quinta, 23 abril 2020

É frequente ouvir-se dizer que é nos tempos de maior aperto que se vêem os verdadeiros amigos. Pegando nesta verdadeira pérola da sabedoria popular, o Grupo Emergência Covid-19 Castro Daire lançou na rede social Facebook uma campanha solidária de angariação de fundos em Março, no sentido de adquirir equipamento de protecção individual para fazer face à situação de pandemia que se vive actualmente.
A onda de solidariedade recolheu 4,804,23 euros, em material e donativos, valor que permitiu distribuir cerca de cinco mil unidades de equipamento de protecção pelo concelho.
O material foi distribuído por 22 entidades, incluindo lares de São Joaninho, Parada, Pendilhe e Queiriga, centros sociais e paroquiais de Lamelas, Cetos, Mões, Reriz, Mamouros e Carvalhais, corporações de bombeiros de Castro Daire, Farejinhas e Viseu, Centro de Saúde de Castro Daire, associações de Lamas e do Alto Paiva, unidade de cuidados continuados da Guarda, IPSS do Mezio, Centro Hospitalar Tondela Viseu, Santa Casa da Misericórdia de Castro Daire e a empresa Translider. Foi ainda distribuído material de protecção a munícipes infectados ou em contacto com casos positivos.
O grupo continua ainda a entregar material pelo concelho, nomeadamente máscaras comunitárias a comerciantes e população no geral.

Objectivo foi criar um espaço de partilha de informação
A coordenadora do grupo, Marisa Pinto, referiu que o grupo foi criado para "criar um espaço de partilha de informação que fosse fidedigna e credível, desconstruindo mitos e desinformação, que nesta altura têm efeitos contrários ao desejado, criando uma via onde as pessoas pudessem estar conscientes do problema, tendo ferramentas para o combater, no sentido de saberem como se deveriam proteger, que cuidados deveriam ter, as recomendações da DGS, entre outros".
Partindo destes pressupostos, o grupo estendeu a sua actividade ao voluntariado, solicitando, numa primeira fase, donativos para a aquisição de viseiras de protecção. "O feedback foi muito positivo, começámos a receber contactos de pessoas disponíveis para ajudar, contactando fornecedores de material como forma de adquirir, através dos donativos, equipamentos de protecção individual. Adquirimos ainda rolos de tecido e, juntamente com 17 costureiras do nosso concelho, que se mostraram motivadas para ajudar, foi possível criar vários produtos, tais como batas, perneiras, mangas e máscaras comunitárias", recordou Marisa Pinto.
O próximo passo foi contactar as entidades mais carenciadas, como lares, centros de dia, bombeiros, centros de saúde e associações, abrindo-se então uma via de comunicação contínua para se aferir das principais necessidades de cada uma.
"Com tudo devidamente organizado, registado e envolvido num espírito comum de partilha, união e solidariedade, foi possível doar mais de 5 mil equipamentos de protecção individual a 22 entidades diferentes, dentro e fora do nosso concelho", asseverou.

Aumento constante dos preços prejudicou iniciativa
As oscilações de preços dos equipamentos foi uma preocupação constante à medida que iam chegando os donativos ao grupo. Marisa Pinto recorda que "numa fase em que o material era mais escasso e, sucessivamente, ia ficando mais caro, termos 100 euros de donativos num dia ou no dia seguinte fazia toda a diferença, porque ou encomendávamos o produto naquela hora ou arriscávamo-nos a ficar sem ele ou a adquiri-lo mais caro numa próxima vez".
A coordenadora reconhece que, por vezes, foi preciso mesmo agir com fé, arriscando que chegariam verbas para suportar as compras de material para dotar as entidades mais carenciadas. "A verdade é que correu sempre tudo bem", afirmou, apesar de alguns sustos com as entregas mais demoradas do material adquirido.
Além da vertente solidária, o grupo também a utilização adequada dos equipamentos foi uma prioridade, com a entrega de vários documentos informativos com orientações da DGS sobre o seu maneio.
"Um dos nossos cuidados foi explicar que o material deveria ser desinfectado pela entidade antes de ser usado, bem como dar uma espécie de formação da correcta colocação, passo por passo, dos equipamentos, através de vídeos e documentos deixados no grupo e também directamente a cada responsável pela instituição", recordou.
Marisa Pinto tem a sensação do dever cumprido, mas a maior satisfação resulta de pequenos pormenores, como "o sorriso rasgado das pessoas quando recolhiam os materiais, as mensagens de carinho e motivação que fomos recebendo, o facto de os colaboradores das entidades começarem a saber usar o material adequadamente e, assim, prevenir possíveis infecções em situações de potencial risco". No final, fica "um sentimento muito gratificante de fé na capacidade das pessoas", concluiu.

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