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Laboratório espera realizar testes de Covid-19 já no início da próxima semana


sexta, 27 março 2020

O Diário de Coimbra acompanhou, ontem, uma visita guiada ao laboratório que está a ser instalado no edifício da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, no Pólo I, na Alta Universitária, e onde vão ser realizados testes de diagnóstico de Covid-19. Trata-se de uma estrutura laboratorial completamente dedicada a testes SARS-CoV-2, com uma capacidade estruturada para a realização de 800 testes diários.
Entre técnicos voluntários da Universidade de Coimbra, do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, são «72 pessoas, divididas por nove equipas de oito elementos, que vão realizar turnos de cinco horas ao longo de sete dias por semana no total de 16 horas diárias». «São investigadores doutorados ou em doutoramento e técnicos de laboratório da Universidade de Coimbra, que se voluntariaram durante estas três semanas», especificou.
Numa primeira fase, «no arranque do processo», a previsão aponta para o teste diário de «cerca de 300 a 400 amostras». Depois, o objectivo é, «em velocidade de cruzeiro, chegar às 500 amostras». Ontem, durante a visita, guiada por um assessor da Reitoria da Universidade de Coimbra, foi referido terem sido contratualizados «30 mil testes» com uma empresa americana, a Abbott.
Ao início da tarde de ontem, o equipamento estava a chegar e a ser arrumado. A previsão é que, no início da próxima semana, tudo possa estar pronto para dar início à realização dos testes de diagnóstico de Covid-19. «Abrir na segunda-feira é o que se quer. Estamos a trabalhar para isso», transmitiu o assessor da Reitoria da Universidade de Coimbra.
Além dos técnicos de laboratório já mencionados, a equipa de trabalho vai ser mais abrangente, uma vez que há toda uma logística que tem de ser cumprida. «São mais seis a sete pessoas. Temos as equipas da logística, da alimentação e tudo o resto. Os SASUC [Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra] vão ajudar na alimentação. Há uma equipa de limpeza e há quem esteja a ver o material para que nada falte», divulgou.
Depois de serem recolhidas na Praça da Canção e no antigo Hospital Pediátrico de Coimbra, as amostras são encaminhadas pela Administração Regional de Saúde do Centro para o laboratório no edifício da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, no Pólo I. As amostras entram através da recepção, onde «é feita a inserção da amostra no sistema partilhado da DGS [Direcção-Geral da Saúde]».
«Tudo será feito de forma segura. Depois, as amostras entram numa zona estéril, nestas duas pequenas portas, antes de entrarem na câmara de biossegurança», garantiu, antes de passar à fase seguinte do processo. «A sala de pressão negativa não permite a saída do vírus», acrescentou, especificando, então, que «as amostras entram primeiro na sala, onde vão ser divididas em duas salas de manipulação com dois técnicos equipados».
A explicação laboratorial do assessor da Reitoria da Universidade de Coimbra prosseguiu. «Os técnicos têm de tirar o tubo de dentro de onde vem. Depois, há o processo da morte do vírus. Vai para o processo de extracção, onde vai limpar, e para o processo de amplificação, para verificar se existe ou não e para saber se dá positivo ou negativo», revelou, antes ainda de sublinhar que «o resultado da amplificação é inserido no sistema, na base de dados da DGS, para que haja rapidez na actualização dos dados».|

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