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Especialistas criam plataforma que promove gestão activa de consumos energéticos


quinta, 30 janeiro 2020

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, vão, ao abrigo de um projecto europeu, desenvolver uma plataforma para "promover a gestão mais activa dos consumos energéticos", revelou hoje a responsável. "Apesar da crescente consciencialização em relação à implementação de medidas de eficiência energética, o mercado das empresas fornecedoras de serviços de energia tem, ainda, um longo caminho a percorrer para atingir todo o seu potencial. Existem várias barreiras ao crescimento deste mercado", afirmou Nilufar Neyestani, investigadora do INESC TEC.
Foi com o propósito "de derrubar as barreiras" existentes entre as empresas fornecedoras de serviços de energia e "potenciais clientes" que, sete parceiros de quatro países - Bélgica, Portugal, Espanha e Itália - se uniram no projecto 'AmBIENCe'.
Em declarações à Lusa, Nilufar Neyestani, coordenadora do projecto no INESC TEC, explicou que durante os próximos dois anos e meio, o consórcio vai trabalhar no "desenvolvimento de novos modelos de negócio e de um novo conceito de contratos de desempenho energético, assentes na flexibilidade e na gestão de consumos". "O projecto AmBIENCe vai propor um modelo de negócio que tornará interessante o suficiente para todas as partes, estarem dispostas a investir em eficiência energética e mudar os seus comportamentos de forma a melhorar o desempenho energético", referiu.
Por forma a "aumentar a flexibilidade dos contratos de desempenho económico", as entidades do consórcio vão ajudar os proprietários e investidores de edifícios a promoverem o conforto e poupança energética, com recurso a uma plataforma.
A plataforma, baseada num modelo de "gestão activa" dos consumos, possibilitará "calcular os custos e poupanças associadas" à implementação dos contratos de desempenho energético. "A plataforma pretende facilitar a implementação do novo modelo de contrato de desempenho energético que será proposto no projecto", afirmou a investigadora, adiantando que a mesma vai ter em consideração diferentes "cenários", tais como a instalação de painéis fotovoltaicos, carregadores de veículos eléctricos e sistemas domésticos de gestão de energia.
De acordo com Nilufar Neyestani, esta solução, "além de fomentar a modernização e inteligência dos edifícios", vai também permitir aos utilizadores ter um papel "mais activo" na redução dos consumos energéticos. "Em Portugal, para além de existir um número muito reduzido de empresas de serviço energético, existe uma grande lacuna nos incentivos para melhoria da performance energética dos edifícios. Por isso, o projecto AmBIENCe pretende atrair mais investimento, oferecendo aos investidores garantias de retorno através de uma melhor abordagem de medição e verificação dos consumos, assegurando dessa forma o cumprimento do contrato pelos utilizadores dos edifícios", salientou Nilufar Neyestani.
À Lusa, a investigadora adiantou que a tecnologia vai ser posteriormente testada em dois locais: em três edifícios no campus universitário de Bruxelas, na Bélgica, e em edifícios da EDP Distribuição localizados na cidade do Porto.
O 'AmBIENCe', que arrancou em Junho de 2019, é financiado em dois milhões de euros pelo programa Horizonte 2020.