Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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No descascar da memória vale mais o arroz do que a parede de Vhils


Adérito Esteves (texto) e Ricardo Carvalhal (foto) segunda, 11 setembro 2017
A obra de maior renome está ali a escassos metros. Tem assinatura de um dos mais conceituados artistas do mundo, mas nem precisava. Está na cara que é Vhils. Aquela que desperta todas as atenções, porém, é outra. Aqueles que a apreciam e comentam podem nunca ter ouvido falar do nome da autora, mas também não foi por ela que vieram ali, perto da hora do almoço. Foi pelos rostos, pelas histórias e pelas memórias que ali estão impressas. E que os fazem viajar no tem­po. Mais do que a parede descascada por Alexandre Farto, continuam a ser as histórias do descasque do arroz que enchem de orgulho as gentes locais. “Olha o Ti Lopes. E este é o Ti Ernesto. Ah, aquele ali é o Luís Armando. E naquela também, com a Lúcia”. “E este deve ser o Carlinhos quando era pequeno. E olha o Zé Alberto”. De dedo em riste para a parede, Celeste Pinho desvenda, um a um, os protagonistas do projecto impresso a relevo pela britânica Camilla Watson. Atento, mas mais calado, de olhar saudoso, José Moutela ia acrescentando alguns nomes ao rol de caras conhecidas, algumas das quais com direito a mensagem manuscrita na pedra. “Quem nasceu nesta rua conhece esta malta toda”, comenta Celeste Pinho, perante o olhar da equipa do Diário de Aveiro, que assistia ao momento, tentando não prejudicar a pureza daquele desfiar de memórias. “Esta era uma rua muito movimentada, cheia de miúdos e de vida”, afiança Celeste, num arruamento que, hoje, é preenchido por ruínas... e memórias do que foi outrora.
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