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Euro feminino: Portugal, finalista improvável entre as melhores da Europa


quinta, 13 julho 2017
Portugal é o finalista improvável do Europeu de futebol feminino, de 16 de Julho a 06 de agosto, na Holanda, onde a vice-líder mundial e octocampeã europeia Alemanha é a grande candidata. Mais de 30 anos após os primeiros passos do futebol feminino português, uma nova geração de talentos, uma melhor organização de competições e uma importante aposta da Federação Portuguesa ajudaram à proeza histórica. Em Novembro, Portugal conseguiu garantir um lugar entre as 16 melhores equipas da Europa, que irão disputar em quatro grupos o Europeu de futebol, com a equipa das ‘quinas’ a ser a menos bem classificada de todas. Para chegar à Holanda, a selecção treinada por Francisco Neto teve que vencer o ‘play-off’ que atribuía a última vaga, com a equipa a empatar com a Roménia em Lisboa (0-0) e em Cluj (1-1), mas com a vantagem de um golo fora, já no prolongamento. Francisco Neto reconhece que Portugal parte para Europeu na ‘cauda’ dos favoritos, é 38.º do ‘ranking’ da FIFA e a segunda menos cotada é a Rússia, na 25.ª posição, mas o técnico confia no espírito “guerreiro” e na “união” para uma boa campanha. Na Holanda, integrada no grupo D, a equipa terá como adversárias a favoritíssima Inglaterra (5.ª do mundo e vice-campeã em 1984 e 2009), a Espanha (13.ª), e a Escócia (21.ª), selecção igualmente estreante no ‘Euro’. Na linha da frente de candidatos ao troféu está, inevitavelmente, a Alemanha, campeã europeia oito vezes (1989, 1991, 1995, 1997, 2001, 2005, 2009 e 2013), a França (3.ª no ‘ranking’ FIFA), a Inglaterra (5.ª) ou a Suécia (9.º). As suecas, campeãs europeias em 1984, muito antes do imenso domínio alemão, são inevitáveis candidatas, em companhia de outras nórdicas como a Noruega, campeãs em 1987 e 1993, mas atuais 11.ªs no ‘ranking’ da FIFA. O domínio nórdico, durante muito tempo bastião do futebol feminino mundial, foi acompanhado pela Alemanha, mas o presente assiste ao crescimento de França, Espanha ou Itália, selecções do sul da Europa que têm mostrado cada vez mais argumentos. As francesas são um bom exemplo dessa progressão e a nível de clubes têm no Lyon o bicampeão europeu, em 2016 diante do Wolfsburgo, e em 2017 frente às também gaulesas do Paris Saint-Germain, enquanto as espanholas têm vindo a tirar proveito das gerações que foram vice-campeãs europeias em sub-17 (2014, 2016 e 2017) e sub-19 (2012, 2014, 2015 e 2016). No grupo de Portugal, que a seleccionadora da Escócia, a ex-futebolista sueca Anna Signeul, define “como o mais difícil”, Inglaterra, semifinalista no Mundial de 2015, e Espanha, que em Março venceu a Algarve Cup, são candidatas à final. No Europeu feminino, além de Portugal estreiam-se também a Escócia, Bélgica, Áustria e Suíça. Em cada um dos quatro grupos as duas mais bem classificadas garantem um lugar nos quartos de final da competição.