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Canonização de Jacinta e Francisco "renova" mensagem de Fátima - crentes


Foto: DR sábado, 13 maio 2017

A canonização dos beatos Jacinta e Francisco hoje no Santuário da Cova de Iria é vista pelos peregrinos como um “renovar” da mensagem de Fátima e um reconhecimento do que os crentes “já sentiam”. No recinto distribuem-se pagelas dos dois pastorinhos com a respectiva oração evocativa, em que é pedido aos novos santos que sejam “duas candeias para iluminar a humanidade”. “Exaltai os humildes que na Vossa Luz vêem luz”, lê-se na oração, hoje distribuída.
“Canonizar era o patamar para duas crianças que face a duras provas nunca vacilaram. Sempre os incluí nas minhas orações”, disse à agência Lusa Rui Santos, 56 anos, que veio da Maia especificamente para o dia da canonização, presidida pelo papa Francisco. "Esta canonização renova a mensagem de Fátima, sempre actual, pois é de solidariedade ", acrescentou.
Para Emília Neves, 35 anos, de Aveiro, “este reconhecimento vem renovar a validação da mensagem de Fátima, que é tão actual" e "foi dada pela boca destas duas crianças, e de sua prima Lúcia [que se tornou freira carmelita e morreu em 2005]”. “A canonização fortalece a nossa crença em Fátima, e a todos os que ainda hoje são perseguidos pela sua fé em Cristo”, acrescentou.
Ana Maria Fontes, 29 anos, que é catequista na diocese do Funchal, afirmou eu “os pastorinhos foram sempre um exemplo para os mais novos. Estes, ao vê-los canonizados, sentem um maior apelo pois são duas crianças, duas entre eles”.
Um frade franciscano de Braga, referiu que desde que foram beatificados pelo papa João Paulo II, em maio de 2000, “as comunidades católicas rapidamente quiserem colocar os pastorinhos nos altares, dirigir-lhes orações e pedidos”. “Sentem um conforto especial, talvez por cronologicamente estarem mais próximos, serem portugueses, estarem ligados a Fátima”, justificou. "Para todos os católicos o dia de hoje foi de grande alegria, pela canonização e por sentir tão viva esta comunhão", acrescentou.
O padre Alfonso Pernuy afirmou à Lusa que na sua paróquia, na cidade venezuelana de Maracaibo, “apesar das dificuldades que o povo enfrenta, já prepara um altar para colocarem Jacinta e Francisco”. “A mensagem de Fátima é particularmente sentida por aqueles que vivem em sofrimento e provação, como acontece atualmente com o povo venezuelano”, disse.
Juan Gabriel, de 50 anos, de Cádis, no Sul de Espanha, que “desde sempre se lembra de peregrinar a Fátima”, afirmou que “a canonização dos pastorinhos é um olhar renovado sobre a mensagem de Nossa Senhora, de paz e amor, a quem este papa, na sua humildade, veio orar e pedir paz”. Para este peregrino espanhol, esta canonização “centraliza Fátima como um espaço de oração universal pela paz e o amor entre os povos”.
“A canonização dos pastorinhos demonstra o que todos já sentiam, bem como o empenho da Igreja nesta perspectiva de paz, humildade e diálogo entre todos os povos, e este papa é o seu melhor porta-voz", disse à Lusa Jean Pierre Vernière, peregrino francês de Toulouse.
“Em Fátima, como em poucos outros santuários marianos, encontramos bandeiras de todo o mundo, sinónimo de como a mensagem de Fátima tocou tantos povos que nela encontram alento, principalmente depois das mudanças no leste da Europa”, disse, realçando: “Falta uma bandeira, daqueles que não a têm, dos refugiados, um drama que nos devia afectar pois condói e apela à caridade e à misericórdia cristãs”.
A Igreja passa a celebrar a memória dos santos Jacinta e Francisco no dia 20 de Fevereiro.