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Fátima: As peregrinações deixaram de ser todas iguais


Foto: LUSA sábado, 13 maio 2017

A súmula da presença do Papa, da celebração do Centenário das Aparições (1917-2017) e da canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco transformaram em definitivo as habituais peregrinações de Maio, dizem peregrinos “com muitos quilómetros” de Fátima. A improbabilidade de três momentos com semelhante relevância se voltarem a unir – ter-se-á de esperar pelo menos 100 anos – levaram milhares de pessoas à Cova da Iria já na sexta-feira e, hoje de manhã, com o recinto do Santuário de Fátima praticamente cheio desde as 07h00. Os peregrinos admitem ser difícil o maior templo mariano do País voltar a receber tamanha multidão. Mas, assumiram também, mais do que a multidão, terá sido a mensagem de esperança e paz que Francisco apresentou na sexta-feira a partir da Capelinha das Aparições – ou desde que assumiu a liderança da Igreja Católica – que transformou irrevogavelmente a peregrinação de Maio.
“Ele entrou por aqui adentro [pelo Santuário] e invadiu-nos o coração”, disse à agência Lusa Manuel António, 64 anos, e que assistiu já a dezenas de peregrinações, incluindo as até agora mais marcantes: as visitas do polaco João Paulo II, em 1982 e em 2000. Na sexta-feira, explicou o peregrino, não esperava tamanha multidão e, por isso, depois de ter passado quase todo o dia dentro do Santuário, aproveitou o meio da tarde para comprar algumas recordações. “Mas não consegui regressar. E vi [a chegada e a oração e a bênção das velas na Capelinha das Aparições] por um ecrã gigante”, lamentou-se o fiel, que hoje não cairá na mesma asneira – “Daqui já não vou sair, só para regressar a casa”.
No mesmo local do qual na sexta-feira assistiu às celebrações, está Susana Maria, de Santarém, habituada a caminhar até Fátima desde os 16, 17 anos. Hoje, com 46, Susana recorda as duas últimas peregrinações de João Paulo II (1991 e 2000) e também garante que Francisco conseguiu bater recordes: “Não me recordo de tanta gente assim. Tem sido um ambiente impressionante”.
Comovente, foi, por outro lado, o adjectivo utilizado por Samuel Garcia para definir as celebrações de sexta-feira e a madrugada de sábado na Cova da Iria. “Francisco soube novamente trazer a Igreja até nós. E encheu Fátima de luz. Não me recordo de ter assistido a nada assim e olhe que já ando aqui [nas peregrinações] há muito tempo”, sintetizou.
O Papa Francisco termina hoje uma visita de menos de 24 horas a Portugal, depois de ter chegado na sexta-feira a Monte Real. É o quarto Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).