Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Alteração não substancial dos factos adiou leitura do acórdão de tráfico de droga em Leiria


sexta, 05 maio 2017
A leitura do acórdão do julgamento que envolve cinco pescadores, detidos pela Polícia Judiciária em alto-mar, em Agosto de 2015, quando transportavam 1.800 quilos de cocaína, foi ontem adiada pelo Tribunal de Leiria. De acordo com o juiz presidente, registou-se uma alteração não substancial dos factos, que não constavam no processo e que surgiram, "sobretudo", aquando da inquirição dos inspectores da Polícia Judiciária. Estes inspectores revelaram que a apreensão de droga resultou de uma operação oculta da PJ e da Drug Enforcement Administration. Os advogados dos arguidos prescindiram do prazo a que têm direito e a leitura do acórdão ficou agendada para o dia 18 de maio, pelas 15h00. Na primeira sessão do julgamento, três dos cinco arguidos, que estão a ser julgados no Tribunal de Leiria por tráfico de droga, admitiram ter aceitado fazer o transbordo de cocaína em alto mar depois de terem sido aliciados com um pagamento em dinheiro. Os restantes arguidos, que se encontram detidos em casa com vigilância electrónica, admitiram ter sido abordados para o transporte de "pacotes", que iriam receber em alto mar e levar para o Porto da Nazaré. O primeiro dos acusados disse ter sido contactado por um dos arguidos para "fazer o transporte de uns sacos, em troca de 10 mil euros". Segundo relataram, por volta das 20h00 do dia 19 de Agosto de 2015, saíram do Porto da Nazaré para mar alto, onde um veleiro iria ao seu encontro. Cerca de uma hora depois, iniciou-se o transbordo de 63 pacotes. A droga foi passada para um bote e deste para a embarcação de um dos arguidos. Cerca de duas horas depois, quando iniciavam o regresso ao Porto da Nazaré, foram interceptados pela Polícia Marítima, referiram ainda ao colectivo de juízes. Numa conferência de imprensa com os responsáveis do combate ao tráfico de droga de Portugal e Espanha, em Setembro de 2015, a Polícia Judiciária referiu que a investigação, que culminou na apreensão de 1,9 toneladas de cocaína, começou há mais de um ano e a droga valeria no mercado mais de 60 milhões de euros.