
São entre 1.500 a 2.000 famílias a precisar de ajuda financeira do Estado
São entre 1.500 a 2.000 famílias da Costa Nova, Murtosa e Torreira que aguardam por uma decisão do Governo quanto a ajudas financeiras a atribuir aos pescadores afetados pela morte dos bivalves, provocada pela água doce da chuva intensa do final de janeiro e início de fevereiro, e de ajudas que possam ser atribuídas pelo Estado para compensar a perda de rendimento.
Também aguardam que a próxima desova dos bivalves - provavelmente em maio, quando a água atingir os 18 graus -seja generosa e a ria consiga voltar a oferecer bivalves aos pescadores. Contudo, este regresso pode demorar um ano ou um ano e meio, segundo João Lopes, presidente da Associação de Pesca Artesanal da Região de Aveiro (APARA).
Há ainda esperança que o próximo ciclo de marés-vivas (de marés mais altas e mais baixas), entre hoje e a próxima segunda-feira, «“limpe” a maior parte da água» (do excesso de água, doce, da chuva), pelo efeito natural de uma saída de grande quantidade da água durante a vazante e a entrada de água, também em grande volume, renovando, assim, o meio aquático.
Receio confirmou-se
O Diário de Aveiro falou com João Lopes antes da atividade da apanha de bivalves ser retomada, após uma paragem devido à sucessão de tempestades que impediu a atividade, quando já previa a morte de bivalves por excesso de água doce, principalmente amêijoa-macha e berbigão.
Voltámos a contactar aquele dirigente depois de retomada a apanha e questionámos se se confirmou a morte dos bivalves, respondendo: «Infelizmente, sim, 90 por cento dos bivalves morreram». A mortandade verificou-se com maior relevância na Murtosa e Torreira, «onde a ria não é tão profunda», explica o dirigente da APARA, e menos na Costa Nova, embora, a montante do parque de campismo, a morte de bivalves tenha registado uma maior dimensão. Outro dado desta mortandade excecional refere-se a um pico, quando a morte de bivalves se intensificou, durante um período de marés mortas, quando a diferença entre a preia-mar e a baixa-mar é mínima e, consequentemente, «durante muitas horas a água doce manteve-se na ria», segundo João Lopes.
Outro efeito negativo da chuva é a escorrência de químicos devido ao deslizamento de terras agrícolas para os cursos dos rios, desaguando na ria. São arrastados fertilizantes usados na produção agrícola que se juntam à água doce, constituindo dois problemas que preocupam a APARA.










