Pontes, poder e memória
O Desastre da Ponte das Barcas, ocorrido a 29 de março de 1809, na cidade do Porto, é um desses momentos.
Quando as tropas napoleónicas, pela alvorada da manhã, comandadas pelo Marechal Soult avançaram sobre a cidade, centenas de pessoas procuraram atravessar a Ponte das Barcas que ligava as margens do Rio Douro, ali no local da Ribeira.
A urgência do pânico fez colapsar a estrutura.
A ponte que deveria unir e salvar do inimigo, tornou-se o cenário de uma tragédia.
Mas a ponte, naquele dia, era mais do que uma infraestrutura.
Era também um símbolo. Representava a linha frágil entre segurança e domínio, entre liberdade e poder imposto.
Quando o medo tomou conta da cidade, aquela travessia transformou-se no último recurso, que foi a tentativa desesperada de escapar a uma força que, pela segunda vez, chegava para ocupar e controlar.
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