
Tempestades deixam A.A. Avanca à mercê da chuva
A Associação Atlética de Avanca (A.A. Avanca) continua a lutar para recuperar das consequências do temporal “Martinho”, que a 20 de março de 2025 destruiu parte significativa da cobertura das bancadas. Quase um ano depois, e após novas intempéries – Kristin, Leonardo, Marta e Nils – as instalações permanecem vulneráveis, com prejuízos agravados pela exposição prolongada à chuva. Uma mensagem anónima enviada ao Diário de Aveiro denuncia o “drama” vivido pelo clube na tentativa de preservar o seu património.
Segundo a mesma fonte, dos cerca de 94 mil euros necessários para a reconstrução da cobertura, o clube terá conseguido angariar cerca de 55 mil euros, com o apoio da Câmara Municipal de Estarreja, Junta de Freguesia, empresas locais, sócios, atletas e amigos da coletividade. O material, sejam telhas, vigas e estruturas, foi adquirido e a montagem começou no início do ano.
Contudo, a 28 de janeiro, a tempestade Kristin obrigou à interrupção dos trabalhos e desde então, a cobertura permanece inacabada, deixando as bancadas e vários espaços interiores expostos às chuvas sucessivas. A loja, sala de troféus, secretaria, sala de reuniões e balneários são os espaços que mais têm sofrido danos visíveis e graves.
«Neste momento sinto-me abandonado»
Em declarações ao Diário de Aveiro, o presidente da AA Avanca, Luís Santos, confirma as dificuldades e assume o sentimento de frustração e abandono perante a ausência de respostas concretas da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e da Associação de Futebol de Aveiro (AFA).
«No próprio dia da tempestade (Martinho) contactei a Federação. O presidente respondeu-me, por mensagem, que estavam a tomar as medidas necessárias e que o processo teria de passar pela Associação. Fizemos tudo o que nos pediram. Mas, até hoje, nada foi resolvido», afirma.
A demora tem consequências graves. «Estamos a estragar as instalações. A sala de troféus, com a nossa história, está afetada. A loja, o arquivo, a sala da presidência… está tudo danificado. Não temos camarotes, não temos bancadas em condições. É muito difícil».
Questionado diretamente se se sente abandonado pela AFA, Luís Santos é perentório. «Neste momento sinto-me abandonado. Precisamos, pelo menos, de uma resposta concreta, de saber com o que podemos contar», revelou, sublinhando que apesar das dificuldades, mantém esperança. «Tenho esperança, se não, não estava cá».
Fundo federativo ainda «em análise»
Contactado pelo Diário de Aveiro, o presidente da Associação de Futebol de Aveiro, José Neves Coelho, esclarece que a candidatura da AA Avanca foi submetida a um fundo criado pela Federação Portuguesa de Futebol para apoiar clubes afetados por catástrofes naturais.
«O fundo é da Federação. A Associação apenas encaminhou o processo. Posso dizer que está ainda em análise. Há muitos processos e estão a ser analisados um a um», explica.
O dirigente sublinha que «ninguém prometeu qualquer valor» ao clube e recorda que existem outras coletividades na mesma situação, como o Macieirense. «É um fundo criado por iniciativa da Federação, não era algo previamente definido. Estamos a pressionar, a enviar e-mails, mas a resposta é sempre a mesma: está em análise», declarou.
José Neves Coelho rejeita a ideia de abandono. «Não é verdade que não haja feedback. Sempre que o clube nos contacta, respondemos. A nossa obrigação é ajudar, e é o que temos feito», sublinhou.
O presidente da AFA lembra, ainda, que os clubes são responsáveis pelas suas instalações e devem acautelar seguros adequados, embora admita desconhecer se a AA Avanca dispõe dessa cobertura.











