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Há quem tenha de ir de barco para casa ou para o centro de saúde

Diversos locais do concelho estão submersos obrigando a soluções de recurso para deslocações ou entrega de alimentação e outros bens. Vinte pessoas tiveram de ser realojadas

Com o auxílio de um cajado esguio com uns três metros de comprimento, José Laranjeira posiciona o pequeno barco na direção certa, apontado para Vale da Cana. É para lá que este barqueiro improvisado se prepara para transportar João Sanhudo, que precisou de cuidados no centro de saúde de Angeja.

João, assim como outros moradores daquele lugar de Frossos, é quase um refém na sua própria casa. Vale da Cana é praticamente uma ilha – as marés subiram tanto que as habitações estão rodeadas por água. Para não faltar ao tratamento no centro de saúde, este homem de 38 anos teve de apanhar duas boleias: no barco de José até à parte não submersa da Rua José Gonçalves de Pinho; e daí no jipe da Proteção Civil (PC) de Albergaria-a-Velha, conduzido por João Oliveira, coordenador deste serviço municipal.

Com esta zona ribeirinha do concelho parcialmente debaixo de água, os barcos ganharam um novo papel, navegando por onde habitualmente circulam os carros. A própria PC, explica João Oliveira, tem usado o seu bote para fazer chegar alimentos e outros bens à população isolada.
A bordo do jipe da PC, acompanhamos este técnico municipal na entrega de garrafões de água e de um cabaz alimentar a uma moradora de Frossos. João Oliveira apanha-nos junto ao Parque do Areal, em Angeja. De costas para a Casa dos Leitões, o que vemos à nossa frente é um mar imenso de água que submergiu estradas, rotundas e campos agrícolas. Chegamos à casa da mulher de 65 anos atravessando várias ruas em que os pneus do jipe rolam debaixo de água. «Falei à PC», conta a moradora, «e eles vieram trazer-me o jantar de ontem e agora o almoço». Também a Junta de Freguesia se tem dedicado a transportar comida ou medicamentos aos residentes isolados, muitas vezes de trator.

Em Frossos, visitamos ainda a casa de uma família cujas divisões estão alagadas com água à altura de meio dedo mindinho. Uma mulher mostra-nos o compartimento de onde foram retirados vários eletrodomésticos. «Tivemos de tirar o frigorífico, o fogão e a máquina de lavar roupa», descreve. Ainda assim, conta outra habitante da casa, a água já esteve mais alta. «Só conseguíamos andar de galochas».

As inundações são uma grande contrariedade na vida das populações de Angeja, Frossos ou São João de Loure mas nada a que não estejam habituados. «Em 2019 foi pior», recorda um morador. Outro, que contempla o imenso lençol de água a partir da rotunda do Parque do Areal, diz o mesmo. «Aqui já houve muitas inundações», lembra, «e algumas mais graves do que esta».

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Fevereiro 13, 2026 . 08:00

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