
A arte que cura em exposição
Há quem chegue ao Atelier Terapia das Cores, em Oliveirinha (Aveiro), à procura de um passatempo, mas a maioria, como revela a fundadora e artista Carla Garrido, acaba por encontrar algo muito mais profundo: uma forma de lidar com a dor, a solidão e até diagnósticos clínicos. Amanhã, o Centro de Educação e Recreio (CER) de Vagos abre as portas para mostrar os resultados desta terapia silenciosa.
A exposição, que marca a estreia de Carla Garrido em Vagos, apresenta uma particularidade rara, nenhuma das 40 obras em exibição é da autoria da mentora. O palco é inteiramente dado aos seus alunos, um grupo heterogéneo que une gerações dos 4 aos 84 anos. «Eu sou apenas a orientadora», explica Carla Garrido ao Diário de Aveiro, destacando que «o mérito é todo deles e sempre que acontece, nas aulas, uma superação ou um resultado final brutal, há um brilho nos olhos que diz muito. Isso não é só pintura, é vida».
Terapia contra depressão
e isolamento
Com 28 anos de experiência na pintura, muitos deles dedicados à cerâmica, Carla Garrido percebeu cedo que o seu ateliê funcionava como um refúgio para muitas pessoas. «Vinham ter comigo porque não queriam ir ao psicólogo. Vinham pela companhia, por uma boa conversa, por um espaço calmo e acolhedor, e acabavam por fazer terapia através da arte» e, segundo explica, o processo é visível na evolução das telas. Segundo a artista, é comum os alunos começarem com tons escuros e pesados, evoluindo para cores vibrantes à medida que superam as suas “dores”, sejam perdas familiares ou estados depressivos. No caso das crianças, o ateliê tem sido um aliado importante no apoio a síndromes diversas, como Autismo, Asperger e Tourette, trabalhando em sintonia com recomendações médicas.
O poder do barro
e do pincel
Neste ateliê artístico não se segue um plano curricular rígido. Se a tela não bastar para libertar o “peso interior”, os alunos podem recorrer à roda de oleiro, à cerâmica ou à pintura em tecido. «O ateliê procura dar o que a pessoa precisa no momento. Cada um é uno. E pode não sair uma peça perfeita, mas sai o peso que está dentro e isso é o mais importante», afirma a responsável, que, depois de muitos anos de formação e investigação, e com alunos que mantém há 19 anos, reconhece que a sua arte terapia é indicada para casos tão diferentes como mudanças de comportamento, problemas de aprendizagem, déficit de atenção e hiperatividade, agressividade, insegurança, fobias e insónias. «São muitos anos a trabalhar nesta área e a ver inúmeros casos a serem melhorados ou até superados», garantiu a terapeuta.
A exposição no CER de Vagos, que acontece por iniciativa da recém criada associação aveirense Frossitas, promete ser um testemunho de superação e inclusão e pode ser visitada, gratuitamente, até ao dia 21, entre as 20 e as 23 horas, no espaço do bar/salão do CER.
Para quem deseja experimentar este método, Carla Garrido mantém atividade na Junta de Freguesia de Oliveirinha (terça a quinta-feira) e no seu ateliê, localizado na Rua do Vale Diogo, onde continua a “moldar” o futuro de quem a procura.










