
Fábrica icónica em ruínas espera pela sua nova vida como museu
Os ponteiros do relógio na torre da antiga Martins & Rebello estão imobilizados em permanência nas 10.55h. A icónica fábrica de lacticínios de Vale de Cambra está desativada desde 2001 e hoje tudo nela é uma sombra da empresa pujante que, em meados do século XX, foi um importante motor económico da região.
Em 1901, António Cardoso Rebelo e Alfredo Martins iniciaram o seu percurso empresarial com a primeira unidade em Satão, no distrito de Viseu, comercializando a Manteiga União. A 30 de Janeiro de 1906 a fábrica foi oficialmente fundada como Martins & Rebello, em Lisboa. Nesse mesmo ano, deslocou as suas instalações para Pinheiro Manso, no concelho de Vale de Cambra. Nas décadas de 1950 e 1960 tornou-se na maior empresa de lacticínios de Portugal, chegando a empregar 700 trabalhadores em simultâneo. Os seus 17 mil metros quadrados eram quase uma pequena cidade. Atualmente, como o Diário de Aveiro pôde ontem testemunhar, o antigo complexo industrial agora comprado pela Câmara é um símbolo de abandono e degradação.
A autarquia tem planos ambiciosos para o local. Comprada à Indulac, a propriedade albergará o futuro Museu dos Laticínios de Portugal.
«A compra da antiga fábrica Martins & Rebello é um ato de respeito pela nossa história», explicou André Silva, atual presidente do município. A companhia, disse, «marcou profundamente» o concelho e o projeto camarário destina-se a «garantir que essa memória permanece viva e acessível às próximas gerações».
Enquanto a velha fábrica de Pinheiro Manso não é convertida num «lugar de memória, conhecimento e futuro», o enorme recinto vai-se deteriorando a cada dia. Uma parte da antiga maquinaria jaz em várias salas dos edifícios centenários, agora obsoleta e ferrugenta. É o caso de uma estranha geringonça metálica com botões, manivelas e alavancas que parece saída da imaginação de uma autora de livros infantis. Uma placa cravada na sua superfície informa que o engenho foi fabricado pela SMOL – Sociedade Metalúrgica Ovarense.
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