
Onze municípios pedem soluções à Agência Portuguesa do Ambiente
A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) espera que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) apresente esta semana uma solução que combata eficazmente a proliferação de jacintos-de-água, uma planta invasora que tem afetado os meios aquáticos (entre rios, lagoas e pateiras), provocando danos sérios no equilíbrio dos ecossistemas e dificuldade na navegabilidade, na pesca e em produções em aquaculturas.
O presidente da CIRA, Jorge Almeida, disse ao Diário de Aveiro que a APA é «a entidade mais competente» e está expectante quanto ao resultado a alcançar nesta reunião. Para já, o líder dos municípios apenas conhece o «controlo mecânico«, através de uma ceifeira que a Câmara de Águeda, a que também preside, usa «há 18 anos», num trabalho ininterrupto».
Planta muito mediática
O assunto foi longamente abordado, particularmente nas últimas três semanas nos meios de comunicação social, observando-se imagens de planos de água cobertos daquela planta, como acontece anualmente, mas este ano ganharam maior visibilidade.
A invasão dos meios aquáticos por esta planta infestante, de água doce, é um problema, especialmente para as autarquias ribeirinhas, e o Governo já expressou, no parlamento, por parte da Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, no início deste mês - durante as audições no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado - que há financiamento para a remoção de jacintos, despoluição de rios e a limpeza da pateira que abrange Aveiro e Águeda, através do programa europeu “Sustentável 2030”.
Na altura, a ministra apontou para a necessidade de contactar a APA para conseguir o financiamento. Despoluir rios, como o Cértima e o Levira, em Anadia e Mealhada, e aprofundar o combate aos jacintos-de-água no Rio Vouga e na pateira, assim como desenvolver operações de desassoreamento, são medidas que a ministra considera «urgente». «Temos até 2028 a possibilidade de financiar rios, lagoas e o litoral, mas é preciso projetos com alguma maturidade e com indicação do valor e o que é preciso fazer», disse.
Após estas declarações, a APA comunicou que está prevista a abertura de linhas de financiamento às autarquias para apoiar a remoção dos jacintos-de-água.
Há mais plantas infestantes
Na última reunião do Conselho Intermunicipal da CIRA, este foi um dos temas abordados, mas Jorge Almeida chama à atenção para outras plantas invasoras, fora do meio aquático, também exóticas e infestantes, que têm atingido a região, assim como em toda a zona Centro do país, como a mimosa e a erva das pampas.
Estas são outras duas plantas que também preocupam os municípios, mas sem grandes, ou quase nenhumas, intervenções, ou as que se verificaram foram ineficazes. Enquanto a erva-das-pampas, também conhecida por “penachos”, podem ser observadas atualmente num número crescente de locais, invadindo já o salgado de Aveiro e tomando conta dos ecossistemas, a mimosa, florida, surgirá em janeiro sendo que as duas têm vindo a conquistar extensas zonas do país, particularmente no centro do país, conquistando espaço às autóctones. São particularmente visíveis em zonas interiores, mas também podem ser observadas à beira das estradas. Curiosamente, nas zonas onde são feitas limpezas de mato, junto às estradas, estas infestantes encontram pontos para germinar, constituindo locais de reprodução em larga escala em locais onde antes «viam-se salgueiros e seixos», recorda Jorge Almeida
A CIRA é constituída pelos municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.










