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Relação de Fatinha Ramos e Frida Kahlo em 16 ilustrações

«A história de Frida antes ofuscava a minha, agora ela ilumina o meu caminho», afirma Fatinha Ramos

O MoMA - Museu de Arte Moderna, um dos museus de arte moderna mais importantes do mundo, localizado em Nova Iorque, convidou Fatinha Ramos para participar na revista Drawn to NoMA, uma publicação que abrange arte, ideias e cultura, com vozes de dentro e de fora do Museu.

Intitulada “A Frida e Eu de Fatinha Ramos”, a ilustradora criou «uma história inspirada em eventos reais de nossas vidas através de 16 ilustrações», explica. Esta é uma reflexão sobre identidade, fragilidade e a força silenciosa que transforma a dor em criação, refletindo décadas de comparações que a colocaram à sombra de outra artista: Frida Kahlo. «As pessoas me comparavam à Frida Kahlo antes mesmo de eu saber quem ela era», afirma a ilustradora Fatinha Ramos. «Quando criança, Ramos vivia entrando e saindo de hospitais. Passei longos períodos na cama, me recuperando de fraturas, e o desenho se tornou minha válvula de escape» e o que começou como um comentário casual da mãe de outra criança depressa se tornou um rótulo que a acompanhou toda a vida. «Eu era chamada de “a Frida Kahlo portuguesa”, ganhando livros, meias e cartões-postais da Frida».

Conforme foi crescendo, mais semelhanças surgiram: tanto Ramos quanto Kahlo passaram pelas mesmas cirurgias na coluna, na mesma cidade; ambas usavam dispositivos médicos para proteger os ossos; seu avô e o pai de Frida eram fotógrafos de retratos... «mas aprendi a não viver à sombra dela», diz Fatinha Ramos, «não queria ser uma versão de outra pessoa. Queria ser completamente eu mesma».

Para esta participação, a artista aveirense recorre ao espelho como um portal para entrar no universo da artista mexicana. «O espelho me parece um convite. Suas possibilidades, de reflexão e de cruzar limiares, tornaram-se o cerne da minha história», acrescentando que «trata-se, também, de reformular as perceções sobre a deficiência. «Quero-me afastar da narrativa que transforma artistas com deficiência em símbolos de resiliência», afirma, «a criatividade não surge apesar das limitações, mas sim por meio delas. A arte deve ampliar nossa visão de mundo e isso inclui, também, a forma como vemos os corpos».

Fatinha Ramos é uma artista e ilustradora premiada, cujo trabalho abrange desde livros infantis e ilustrações editoriais até murais e animação. Já fez um livro para o MoMA em 2017, “Sónia Delaunay. A life of color”, que ganhou um Global Illustration Award.

Reside e trabalha entre Portugal e Bélgica.

Novembro 1, 2025 . 18:17

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