
Velhos no corpo, jovens no espírito. Anti-Rugas põe seniores em palco
A juventude de espírito não disfarça tudo: um homem não larga a sua bengala de madeira; uma mulher usa um colar cervical que lhe imobiliza o pescoço; outra tem de ser amparada por duas pessoas, uma de cada lado, para descer a ladeira que conduz à porta das traseiras do Cineteatro Alba. Os velhos corpos destas pessoas carregam mazelas que os tornam menos rápidos, menos ágeis ou menos robustos do que foram antes. Não são defeitos de fabrico, são marcas de uso.
No palco do Cineteatro Alba estão José, de 82 anos, que foi fundidor, carpinteiro, operário e motorista; Isabel, de 73, cabeleireira e esteticista; Olinda, de 68, auxiliar de ação educativa; Odete, de 70, costureira; Lucília, de 74, enfermeira; Fátima, de 65, educadora de infância; José, de 69, operador de máquinas; Maria Celina, de 77, comerciante; Leonor, de 72, operária numa fábrica de chocolates na Suíça; e Fátima, de 68, padeira e pasteleira. Muitas coisas - idades, origens, profissões, personalidades - separam as pessoas deste grupo. Mas uma coisa as une: o teatro.
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