Última Hora
Pub

Obra de Pedro Figueiredo inaugurada em S. Bernardo

A peça foi inaugurada ontem, em São Bernardo. “Caminhante” é a primeira obra escultórica do artista guardense em Aveiro

Tudo começou com um desafio lançado por Nuno Sacramento à autarquia. O diretor e fundador da galeria “Nuno Sacramento - Arte Contemporânea”, que acolhe a obra de múltiplos artistas, entre eles o escultor Pedro Figueiredo, desafiou a Câmara Municipal de Aveiro a acolher aquela que se tornou a primeira peça do artista guardense no concelho.
“Caminhante” foi o nome dado à obra, inaugurada ontem, em São Bernardo, na rotunda junto à Padaria Lusitana, e que foi encomendada ao artista por cerca de 40 mil euros. «Espero que esta peça inquiete», confessa Figueiredo, em entrevista ao Diário de Aveiro, «o pior para um artista não é falarem mal da obra: é não falarem, é quando a peça não provoca uma reflexão nas pessoas».
O artista, residente em Ferreiros, Anadia, explica que quando recebe encomendas de entidades públicas pode ser particularmente desafiante fazê-las mantendo-se, em simultâneo, fiel à sua linguagem artística. «Quando é uma encomenda para fazer uma homenagem a uma personalidade, por exemplo, perco um pouco da minha liberdade». No entanto, Pedro Figueiredo garante que a peça encomendada pela autarquia aveirense não foi um desses casos. Com pés de dimensão desproporcional, membros longos e uma esfera na mão, a “Caminhante” é símbolo de uma «cidade em crescimento» e de Aveiro como «cidade global», explicou o artista, que acredita que este seu estilo se tem vindo a consolidar ao longo dos anos. «Alguns dos elementos da minha obra têm muito que ver com a perspetiva: um lagarto, por exemplo, vê-nos com os pés grandes e as cabeças pequenas. Quando faço peças neste estilo, estou a elevar a arte relativamente ao ser humano: vemo-la sempre de baixo. No fundo, a arte é superior a nós, enquanto espectadores».
«Entendemos que ficava muito bem este passo largo e acelerado que a escultura tem, neste sítio que simboliza, com muita facilidade, esse caminhar para o crescimento, para o futuro, esse caminhar do centro para a periferia, da barriga da mamã, onde nascemos, para o mundo todo que está ao nosso dispor», esclareceu, por sua vez, o líder do executivo camarário aveirense, Ribau Esteves, sobre a localização da obra. Apesar de o artista ter escolhido o feminino para representar a “Caminhante”, o presidente da câmara municipal denota que a peça não tem sexo. «A mulher é aqui o símbolo do ser humano, que caminha, que salta e que corre para o mundo», reitera. Sobre a área circundante, Ribau Esteves explicou que a autarquia optou por relevar a rotunda com semente, para que «enraizasse com a devida qualidade».
«Espero que a “Caminhante” nos inspire a cuidar da igualdade absoluta, em que nós temos que fazer muito mais e melhor do que estamos a fazer no mundo atual, que é a igualdade da dignidade. Espero que esse caminhar para a frente, que a escultura do Pedro Figueiredo ilustra, também nos motive a continuar sempre com um caminho positivo de crescimento», concluiu o presidente.

Setembro 23, 2025 . 08:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right