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Julgamento de irmão de Pedro Sánchez com sessões marcadas até junho

O julgamento do irmão do primeiro-ministro espanhol e mais dez pessoas por tráfico de influências arrancou hoje em Badajoz e tem sessões marcadas até 10 de junho, para audição de 42 testemunhas e dos 11 acusados

Em causa está a suspeita de que em 2017 foi criado um posto de trabalho propositadamente para David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, na administração da província de Badajoz, liderada pelos socialistas, numa altura em que o atual primeiro-ministro ainda não era líder do Governo, mas estava já à frente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

A primeira sessão do julgamento foi dedicada às "questões prévias" das defesas, acusações e Ministério Público.

O Ministério Público, que pediu a absolvição de todos os réus, defendeu que um dos crimes de que está acusado David Sánchez já prescreveu, o de "aceitação de nomeação ilegal".

David Sánchez arrisca uma pena de três anos de prisão pelos crimes de que está acusado, dois de tráfico de influências, um de prevaricação administrativa e um de aceitação de nomeação ilegal.

O julgamento será retomado na segunda-feira, com a resposta às questões levantadas hoje e antes de começarem a ser ouvidas as testemunhas.

A defesa de David Sánchez considerou que parte das acusações ao irmão do primeiro-ministro de Espanha são falsas, "uma pura invenção", e falou num processo de "caráter político" que devia ser anulado.

Além de David Sánchez, senta-se no banco dos réus neste caso o antigo líder do PSOE da região da Extremadura Miguel Ángel Gallardo.

O despacho da juíza que decidiu levar David Sánchez a julgamento, conhecido em maio do ano passado, indica que o maestro e músico foi contratado para coordenar as "atividades dos conservatórios" da província de Badajoz e, segundo a juíza, o cargo foi criado para o irmão de Pedro Sánchez "a pedido, com certeza, de pessoa ou pessoas" próximas.

Este processo nasceu de uma queixa apresentada pela associação "Mãos Limpas", que a comunicação social espanhola diz estar ligada à extrema-direita e que é uma das "acusações populares" constituídas neste caso, a par dos partidos Vox (extrema-direita) e Partido Popular (PP, direita).

A mesma associação apresentou a queixa que levou à abertura, em 2024, de uma investigação à mulher de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, por suspeita de tráfico de influências e corrupção, num caso ainda sem desfecho.

Pedro Sánchez e outros dirigentes do Governo e do PSOE têm acusado a direita e a extrema-direita espanholas de montarem campanhas de difamação e "máquinas de lodo" para desestabilizarem o executivo e o primeiro-ministro.

O líder do Governo já disse também publicamente que há em Espanha juízes "a fazer política", a propósito do caso do irmão e da mulher.

"Ainda que confiando na Justiça e ainda que pensando que a imensa maioria de juízes fazem bem o seu trabalho, há juízes que não [são assim]", disse Sánchez em 01 de setembro de 2025 numa entrevista à televisão pública espanhola TVE.

"Há juízes a fazer política e políticos que tentam fazer justiça, sem dúvida alguma. São uma minoria, mas provocam um dano terrível à justiça", acrescentou.

Sublinhando que estão em causa, nos casos do irmão e da mulher, "denúncias falsas" de "organizações da extrema-direita", Sánchez garantiu "a inocência e a honestidade" de ambos e disse esperar que a justiça e o tempo "coloquem as coisas no seu lugar".

A postura de Pedro Sánchez relativamente aos casos da mulher e do irmão é diferente da que assumiu face a investigações por corrupção que envolvem ex-dirigentes do PSOE, incluindo um antigo ministro, todos eles pessoas que foram 'braços direitos' do primeiro-ministro.

Nestes casos, Sánchez admitiu que há indícios muito fortes contra os visados e chegou a pedir desculpa aos militantes do PSOE, mas sublinhou não existirem suspeitas de financiamento ilegal do partido.

Maio 28, 2026 . 20:30

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