
Carnaval de Ovar começa nas mãos de quem lhe dá forma
As fantasias que todos os anos deslumbram o público começam muito antes de chegar à Avenida. Durante meses, há quem transforme desenhos em realidade, resolva desafios técnicos e dê vida aos trajes que fazem do Carnaval de Ovar uma referência nacional. Para assinalar o Dia do Município de Ovar, celebrado hoje, o Diário de Aveiro entrou nos bastidores da maior festa do concelho e acompanhou o trabalho de Ângela Granja e Rosária Azevedo, duas costureiras que, entre criatividade, rigor e muitas horas de dedicação, continuam a preservar um saber-fazer indispensável num ofício cada vez mais raro e pelo qual, admitem, «os jovens já não querem saber».
Ângela Granja e a experiência de uma vida dedicada à criação
No Carnaval de Ovar, os fatos contam histórias. Cada desfile apresenta criações exclusivas que nascem da criatividade das 24 associações participantes e ganham forma pelas mãos de quem as transforma em realidade, enchendo as ruas de cor, brilho e imaginação. Em São Miguel de Ovar, o atelier Angela Arts é muito mais do que um espaço de costura criativa e trabalhos manuais. É ali que Ângela Granja, de 64 anos, dá forma a projetos, desafios e fantasias há mais de quatro décadas. Costureira desde os 22 anos, a sua ligação à costura começou, contudo, muito mais cedo. «Na minha comunhão solene, uma vizinha ofereceu-me uma máquina de costura de zigue-zague para eu costurar com a minha prima», lembrou. Foi esse presente que despertou uma paixão que acabaria por marcar todo o seu percurso profissional.
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