
Projeto mostra em Arouca que "Somos Todos Migrantes"
O Teatro do Bolhão apresenta, no sábado, no centro de Arouca, o espetáculo comunitário "Palcos do Mundo - Somos Todos Migrantes", que cruza teatro, música e vídeo, para refletir sobre a condição da migração que "nos une a todos".
O espetáculo, integrado no projeto "Nós - Palcos do Mundo", tem direção artística de Miguel Hernandez, do Teatro do Bolhão, foi desenvolvido num processo participativo durante meses, e constrói-se "a partir da memória coletiva do território", segundo a apresentação do projeto.
"O público é desafiado a reviver o espírito" que levou tantos a partir de Arouca, em busca de melhores condições de vida, e a encontrar pontos comuns com aqueles que chegam.
O espetáculo mostra igualmente "como o movimento e a deslocação fazem parte da história profunda deste lugar e da própria humanidade", através da evocação dos povos que foram passando pela região, ao longo dos séculos.
"Somos Todos Migrantes", segundo a apresentação, convoca histórias reais e ficcionadas, através de participantes de seis países - Portugal, Ucrânia, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cuba e Suíça -, congregando nacionalidades que habitam a vila, "explorando causas, desejos e consequências da migração: a esperança de um novo futuro, as dificuldades da integração, os riscos da migração ilegal, a saudade e a distância".
A decorrer na Praça Brandão de Vasconcelos, ponto de encontro de Arouca, "Somos Todos Migrantes" parte da pergunta "O que nos une a todos nós, independentemente da nossa origem?"
A resposta, segundo os criadores do espetáculo, "está na experiência universal da migração, travessia que, em diferentes épocas e por razões distintas, moldou histórias das famílias arouquenses e continua a moldar as vidas de quem hoje chega ao concelho à procura de uma vida melhor".
A mobilidade humana, recordam, "é um traço constitutivo da nossa identidade enquanto povo".
"O objetivo é claro: promover a inclusão e integração da população migrante na comunidade local, criando um momento de celebração partilhada onde não há protagonistas isolados, mas uma voz coletiva construída por todos".
O espetáculo, em que "todos são protagonistas", reúne assim, "num mesmo palco, vozes, rostos e talentos muito diversos, migrantes e locais, jovens e adultos, amadores e figuras reconhecidas na vida da vila".
No elenco estão 13 pessoas da comunidade migrante, "que de forma voluntária e corajosa aceitaram expor-se através da arte", ultrapassando barreiras de vulnerabilidade.
Nestes 13 - cinco mulheres e oito homens - há cinco são-tomenses, cinco ucranianos, um brasileiro, um suíço e um cubano. Oito são estudantes e todos os outros trabalham "por conta própria e/ou de outrem".
Há ainda grupos corais e coletividades de Arouca, grupos de teatro amador, alunos de música, dança e teatro, um grupo de concertinas, e também "figuras muito conhecidas e queridas [...], que trazem cumplicidade e afeto, ajudando a criar a atmosfera de celebração partilhada que o projeto ambiciona".
Entre essas figuras estão o "Sr. Rouxinol, presença habitual em eventos do município", Manel, "pessoa muito querida" que "alegra qualquer festa", a equipa júnior do Futebol Clube de Arouca e o "Sr. Melo", com as bandeiras gigantes de apoio à equipa.
O projeto "Nós - Palcos do Mundo" é promovido pela Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras de Montemuro, Arada e Gralheira (ADRIMAG), com o Teatro do Bolhão, e nasce da "convicção profunda" de que "a arte tem o poder de construir pontes onde existem muros, de transformar o desconhecido em familiar e de celebrar a diversidade como valor coletivo".
A iniciativa centra-se no processo de inclusão social das comunidades migrantes dos municípios de Arouca, Castelo de Paiva e Vale de Cambra, e parte "do diagnóstico de que a população migrante enfrenta desafios complexos", como a discriminação, a segregação habitacional e a exclusão em contexto escolar e laboral.
No âmbito do projeto, apoiado pelos programas Portugal Inovação Social e NORTE 2030, foi estreado no ano passado, em Vale de Cambra, o espetáculo "Palcos do Mundo -- Fábrica". A terceira e última produção estrear-se-á em 2027, em Castelo de Paiva.
Do trabalho em Arouca, e para o futuro da vila, os mentores do projeto sonham com uma comunidade "mais forte, precisamente por ser mais diversa: um território onde a comunidade local e a comunidade migrante se reconhecem como parceiras no mesmo projeto de desenvolvimento, construindo juntas uma identidade plural e vibrante".












