
Rostos de Ovar enfrentam danos dos comportamentos aditivos
O aumento dos comportamentos aditivos em Portugal continua a refletir-se de forma desigual no território nacional. Em 2025, os dados mais recentes da Coordenação Nacional para os Comportamentos Aditivos e as Dependências apontaram o Norte e o Centro do país como «as regiões com as prevalências mais elevadas de consumo recente e atual de qualquer droga na população entre os 15 e os 74 anos». É nesse mesmo mapa que surge o concelho de Ovar, onde o consumo de drogas e álcool «tem vindo a aumentar», de acordo com o psicólogo Nuno Rechena, do Centro Comunitário de Esmoriz (CCE) há 18 anos, evidenciando como os padrões nacionais se traduzem na realidade local.
O silêncio de uma manhã de sexta-feira era interrompido pelo abrir e fechar das portas da carrinha da Equipa de Rua Dá a Volta!, projeto social do CCE, quando a nossa reportagem se juntou ao “giro” diário, pelas 9.30 horas. Nesse dia, a equipa, composta por Nuno Rechena e Graça Coutinho, técnica de ação social, passaria por diversos utentes com comportamentos aditivos e de dependência, onde se destacam Delfim Oliveira, Manuel dos Santos, José Assunção e Francisco Carriola. «Entre 50 a 60 pessoas recebem acompanhamento regular, num universo total de cerca de 150 a 160 indivíduos apoiados», explicou o psicólogo, que é também coordenador do projeto há 17 anos. Pelas ruas, cafés e locais improvisados de encontro, os profissionais prestam diversos tipos de apoio, incluindo a distribuição de comida, roupa, seringas e folhas de estanho, enquanto tentam construir relações de confiança com quem vive diariamente na fronteira da exclusão e da dependência.
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