
PME’s aconselhadas a abraçarem a “revolução” da sustentabilidade
«Não é ameaça», antes «uma oportunidade», salientou Carlos Torrão, diretor de Estratégia e Negócio Sustentável do BPI, sobre a implementação, também nas micro e nas Pequenas e Médias Empresas (PME’s), dos critérios europeus ESG, os quais exigem a adoção de boas práticas nos domínios ambiental, social e de governação empresarial.
O homem da banca, que falava na na sessão de apresentação do projeto “PME FIRST” da Fundação AEP, realizada na tarde da passada terça-feira, na sede da AIDA-CCI, em Aveiro, sublinhou que, antecipando-se à exigência formal, as PME’s garantem a manutenção do acesso ao financiamento bancário, a permanência na cadeia de valor de multinacionais e grandes empresas que fornecem, saem valorizadas em termos de eficiência e ainda estarão em condições de atrair melhores recursos humanos. Sumariando, disse que ganham «competitividade».
A desenvolver em ano e meio, e de acesso gratuito, o “PME FIRST” vai realizar um estudo para identificar as principais barreiras à adoção de práticas ESG e será cumprido um programa de ações de sensibilização, workshops, encontros empresariais e disseminação de boas-práticas, complementado com o lançamento de uma plataforma digital de apoio às empresas.
O presidente da Fundação AEP, Luís Miguel Ribeiro, acentuou que os critérios de sustentabilidade no ambiente, na responsabilidade social e no governo ético das sociedades comerciais chegarão, inevitavelmente, às Pequenas e Médias Empresas, predominantes no tecido empresarial português, pelo que – sustentou – urge «ajudá-las» a aperceber em que fase desse processo estão e como podem subir de nível.
Carlos Torrão avisou que «não fazer nada tem um custo», custo esse que «vai aumentar ao longo do tempo». Aconselhou os decisores empresariais a assumirem o desafio, dotando as suas unidades produtivas do que chamou «um plano de transição» para as boas práticas que seja «credível». Porque os bancos, como aconteceu com o seu, já incluem esse fator pró-sustentabilidade na hora de decidir um crédito.
Vincou que «não é critério de exclusão», mas afirmou que são «premiadas» as empresas que «demonstram» ter essa credibilidade. Com nota de que o BPI já recusou crédito «por falta de uma estratégia de transição» ou pela sua má implementação, deixou exemplos do que uma firma deve reportar, «de forma concreta e verificável»: o consumo de energia e a parte dessa que é energia renovável, a quantificação das emissões de gás com efeito estufa, a política de reciclagens, as condições de trabalho, a política salarial e a abordagem ética à atividade desenvolvida.
Mercado a mudar
Diretor executivo da firma Aliados Consulting, Tiago Ferreira constatou que mercados em mudança implicam uma transformação dos negócios. Disse que essa mudança está a ser feita por via legislativa/regulatória, nomeadamente induzida pela União Europeia, e pela «prática das grandes cadeias de valor», leia-se os “tubarões», que estão em posição de exigir que os seus fornecedores de menor dimensão lhes imitem as práticas ambientais e sociais, caso queiram continuar a fazer negócios com eles.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










