
Acordo PSD-Chega sob críticas do CDS, PS, JS, BE, Livre, PCP e IL
Após a aprovação da designação de mais um vereador a tempo inteiro no executivo da Câmara de Aveiro, neste caso, Diogo Machado, eleito pelo Chega, segundo um acordo de governação negociado com o presidente da autarquia, Luís Souto, seguiram-se várias reações partidárias. A primeira foi logo do CDS, de dentro da coligação que o partido mantém com o PSD e PPM e, no mesmo dia (ontem), da oposição socialista PS. A estas duas reações, críticas, já noticiadas pelo Diário de Aveiro, seguiram-se, esta quarta-feira, as do PCP, BE, Livre, JS e IL.
O Bloco de Esquerda critica Luís Souto por «levar o Chega para o seu governo, partido que tem apresentado consistentemente um discurso de ataque aos mais frágeis para proteger os poderosos e para proteger o atual regime de desigualdade social (…), um partido que ambiciona a fascização da sociedade, no sentido de querer implementar um ataque às mulheres e minorias para garantir a presente ordem social de exploração do trabalho, baixos salários, habitação cara, desmantelamento dos serviços públicos e desigualdade social enorme e crescente». Para os bloquistas, «o racismo, a misoginia e a homofobia não podem ter assento na governação».
Para a Comissão Concelhia de Aveiro do PCP, trata-se de um «exercício de calculismo e oportunismo político, sem qualquer programa ou relação com a resolução dos problemas municipais (…) , não se coaduna com o respeito democrático pelos munícipes e revela-se como novo caso de distribuição de pelouros e lugares apenas para garantir uma maioria nos órgãos autárquicos municipais, que permita à coligação PSD-CDS executar o seu programa sem entraves».
O Grupo de Coordenação Local LIVRE Aveiro também se pronunciou, reprovando o acordo com o Chega que «reflete um projeto político que segue como premissas a divisão, o populismo e a exploração do medo, promovendo discursos de exclusão e ataque a princípios essenciais da democracia pluralista». Acrescenta que o PSD «abre a porta à extrema-direita, somente focada na política da destruição» e, sobre o CDS, refere que se «absteve dos seus princípios, procurando sacudir as suas responsabilidades».
Para a Iniciativa Liberal, «aquilo que hoje se torna evidente demonstra a fragilidade de uma solução construída sem verdadeiro alinhamento estratégico e sujeita a reconfigurações em função de conveniências momentâneas». Aponta para um processo «sem uma articulação política plena entre os próprios parceiros da coligação, remetendo o CDS-PP e o PPM para uma posição irrelevante e sem influência efetiva nas decisões estruturais (...) parecem existir apenas para validar decisões tomadas por outros».
Por sua vez, a Juventude Socialista de Aveiro diz que foi uma decisão para «legitimar e normalizar a influência de um partido como o Chega, cujo discurso assenta frequentemente na estigmatização de comunidades, em posições de cariz xenófoba e racista, e na promoção do discurso de ódio» e com «dificuldade em apresentar propostas consistentes, estruturadas e ajustadas à realidade, sendo recorrente a simplificação de problemas complexos e a apresentação de respostas imediatistas que falham em responder eficazmente aos desafios atuais».













