
Martim Sousa Tavares celebra o 25 de Abril com espetáculo em Estarreja
Neste espetáculo «autorreferencial», Martim Sousa Tavares vai contar algumas das histórias que o têm edificado enquanto cidadão e ser humano. Ao longo de 90 minutos, acompanhado pelo músico João Barradas, o artista vai explorar o belo e revisitar memórias familiares. «Um dos momentos mais sentidos do espetáculo é quando mostro uma carta que o meu avô escreveu à minha avó, da Prisão de Caxias, nos anos 1960, quando estava preso pela PIDE», diz-nos, sublinhando que é «preciso não esquecer e lembrar continuamente que muita gente deu mesmo a vida pela liberdade para que hoje pudéssemos ter a vida que temos».
Diário de Aveiro: O espetáculo tem sido descrito como autobiográfico. O que tenciona revelar acerca de si nestes 90 minutos em palco?
Martim Sousa Tavares: Na verdade, ele não é tanto autobiográfico, na medida em que não estou a falar sobre a minha vida. É mais autorreferencial, no sentido em que conto algumas histórias que me constroem, mas que não são necessariamente sobre mim. Há um lado de família, por exemplo, muito à volta do meu avô, Francisco de Sousa Tavares, que foi preso várias vezes pela PIDE e que foi uma figura destacada no 25 de Abril. Falo também da minha avó, do meu pai, da minha mãe e falo de outras pessoas, mas para projetar o espaço que eles preenchem na minha vida.
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