
Família Villas-Boas regressa a casa antes da demolição
A família Villas-Boas reuniu-se em Aveiro para uma última visita à casa onde cresceram grande parte dos seus membros, o edifício que viria a acolher a antiga sede da CERCIAV e cuja demolição foi recentemente confirmada pelo tribunal. O núcleo familiar é composto por dez irmãos, Bernardo, Fernando, Diogo, Fernanda, Luísa, Ana, Adelaide e Isabel, além de Zé e Guilherme, já falecidos. Todos cresceram naquela casa aveirense durante décadas e construíram grande parte das suas memórias de infância e vida em família.
O reencontro juntou os oito irmãos vivos num momento único, marcado pela emoção e pela partilha de recordações. «Viemos tirar uma fotografia e despedirmo-nos», afirmou Diogo, sublinhando o simbolismo do regresso.
Durante a visita, percorreram o espaço e recordaram episódios da infância. «Nós crescemos aqui. Passávamos o dia todo a jogar futebol no jardim», lembrou, acrescentando que o imóvel lhes parecia muito maior na altura. «Quando éramos pequenos, a casa parecia enorme. Agora não é assim tão grande», afirmou.
Recordar é viver
A habitação acolheu durante anos uma família numerosa. «Vivíamos aqui dez filhos, os pais e ainda a avó, foi uma época incrível para a nossa família, uma época muito feliz e onde estávamos todos juntos», contou Fernando. O pai, engenheiro civil, fixou-se em Aveiro nos anos 40 devido à sua ligação à Companhia Portuguesa de Celulose de Cacia, onde trabalhou como arquiteto e, mais tarde, como diretor técnico.
A saída da casa ocorreu em 1971, após a venda do imóvel à Fundação Calouste Gulbenkian. «Não tivemos direito de preferência, tentamos mas não conseguimos fazer nada, a decisão já tinha sido tomada. Tivemos de sair e fomos para o Porto», recordou Fernando, que juntamente com Fernanda, manteve uma ligação mais prolongada ao espaço, onde viveu durante mais de 20 anos. Apesar de a mudança ser esperada, «o momento foi difícil. Éramos muito felizes aqui e não queríamos sair», garantiu.
A decisão de avançar com a demolição do edifício foi tomada pela Câmara Municipal de Aveiro e confirmada pelo Tribunal Central Administrativo do Norte. O projeto prevê a ampliação do Conservatório de Música, com novas valências, incluindo espaços dedicados ao ensino da dança e melhores condições de acessibilidade.
Para a família, no entanto, o valor da casa ultrapassa o seu estado atual. «Está muito degradada, mas para nós tem um valor enorme», referiu Fernanda. E foi a notícia da demolição que acabou por motivar este reencontro. «Tivemos muita pena. Deu-nos uma grande saudade e resolvemos juntar-nos aqui mais uma vez», explicou Bernardo. O momento serviu também para transmitir a memória do espaço às gerações mais novas. «Trouxemos os nossos filhos e netos para lhes mostrar onde vivemos», acrescentou Fernando. No total, cerca de 35 familiares reuniram-se ontem no jardim do imóvel.
Num espaço hoje marcado pelo abandono e degradação, permanecem vivas as memórias de uma casa que foi palco de crescimento, união familiar e de uma época marcante na história da família Villas-Boas e da própria cidade. |











