
“Agarrar a faca pelo gume”, um romance sobre mulheres, memória e resistência
Diário de Aveiro: Como chegou a este título?
Inês Bernardo: Ouvi pela primeira vez o ditado «Uma mulher agarra sempre a faca pelo gume», do povo tsuana - que habita regiões da África do Sul e do Botsuana - numa palestra da ensaísta Roxane Gay sobre trauma e o feminino. Na altura ressoou de uma forma muito particular em mim e escrevi-o numa nota, tendo-a perdido logo de seguida. Nos últimos anos de escrita, reencontrei essa nota e uma lâmpada acendeu-se na minha cabeça: era absolutamente óbvio para mim que estava ali o título do livro que eu andava a escrever há tanto tempo.
Porque o livro é descrito como fragmentado e feito de ausências?
Desde o início que escrevo por fragmentos. A estrutura cresceu assim, de forma muito orgânica. Até porque, como fui trabalhando neste romance de forma pontual, ao longo de tanto tempo, era como se o visitasse de vez em quando para acrescentar mais um tijolo na estrutura, alisar uma parede.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










