
Centro de Formação do Calçado “voa” para o futuro com aposta no digital
Em breve, o Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado (CFPIC) inaugurará a intervenção requalificadora e modernizadora feita na sua sede de São João da Madeira e no polo de Felgueiras.
Susana Nogueira, a diretora, deu-nos conta de um investimento global, concretizado através do financiamento do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), que se aproxima dos 8 milhões de euros, com valores idênticos para as duas estruturas.
Acentuou que o edifício de Felgueiras, antigo, precisou de mais trabalho nos seus espaços e salientou o forte investimento em maquinaria de ponta, assinalando que as verbas daquele programa europeu permitiram equipar o CFPIC «com as mais recentes tecnologias», para dar resposta «às necessidades de mão de obra qualificada para as empresas» e para «ajustar os percursos formativos do centro a novas ferramentas: digitalização, indústria 4.0, Tecnologias CAD/CAM, prototipagem digital e impressão 3D».
Sublinhou que «a transformação tecnológica significativa» em curso, uma vez que, como vimos em São João da Madeira, as máquinas já estão nas instalações, visa «antecipar» o que serão as necessidades e as apostas da indústria do calçado num futuro que está ao virar da esquina.
Consciente de que apenas «uma percentagem muito reduzida» das empresas dispõe das novas tecnologias, Susana Nogueira, vincou, contudo, a determinação do centro de formação em andar na linha da frente.
«Sentimos que há uma grande dificuldade em atrair jovens para o setor», realçou a responsável, enfatizando que transformar os conteúdos formativos «em algo mais digital, mais automatizado» pode cativar os mais novos, que deixarão de perspetivar um emprego de chão de fábrica no qual serão meros «operadores de máquina» para abraçarem a função de programadores da máquina com que vão trabalhar.
Com as obras nos edifícios na fase de «acabamentos», os recursos humanos internos estão a receber a formação nas tecnologias adquiridas que lhes permitirá ensinar quem demandar a instituição.
Refira-se que o reforço tecnológico também visou a formação em marroquinaria, área que está a ter «uma procura significativa». Assinalou que a secção especializada ensina produzindo, por exemplo, carteiras em pele.
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