
Município de Anadia contra extração de minerais
O município de Anadia emitiu recentemente um parecer desfavorável ao pedido de atribuição de uma área para prospeção e pesquisa de depósitos minerais, como caulinos, areias siliciosas e outras argilas especiais, na zona conhecida como “Barro do Moleiro”. A decisão foi aprovada na reunião da Câmara Municipal, na passada segunda-feira, conforme anunciou a autarquia, em comunicado enviado à agência Lusa.
O pedido, apresentado pela empresa Simões Sá Pereira, S.A., abrange as freguesias de Avelãs de Cima, Moita e a União de Freguesias de Arcos e Mogofores, conforme já havia sido noticiado pelo Diário de Aveiro, no passado dia 25 de março.
No comunicado enviado à agência, o município anadiense reconheceu que a exploração de recursos geológicos e depósitos de materiais é «fundamental para algumas atividades económicas e tecnológica», mas considerou que «acarreta uma série de aspetos negativos» que afetam o ambiente, a sociedade e a economia local, «tão evidenciada já no território municipal», nas localidades de Cerca, S. Pedro e Candeeira, na freguesia de Avelãs de Cima.
«Estes impactos manifestam-se desde a fase de extração até ao abandono das minas, sendo a mineração, por isso, considerada uma das atividades mais agressivas para os ecossistemas naturais», segundo o documento aprovado.
Para o executivo camarário de Anadia, os impactos ambientais, sociais e na saúde das pessoas e animais, assim como os riscos de segurança e passivos ambientais «podem ser irreversíveis, sem possibilidade de corrigir a capacidade de carga da extração, com consequências na qualidade de vida das pessoas e dos bens por elas possuídos».
A Câmara de Anadia apontou ainda «a destruição de uma fonte de matéria-prima para um dos setores mais importantes da economia local, nomeadamente no complexo agroflorestal, uma das maiores fontes de rendimento das populações locais», considerando que a atividade que está em causa no pedido «não é responsável pela criação de postos de trabalho diretos e de longa duração, no município e na região».
Disse ainda que, sendo o território deste município «forte na produção agrícola familiar e empresarial e o berço do vinho espumante» e as freguesias afetadas produtoras destes produtos, este setor «será seriamente e gravemente afetado».
«Estarão em risco as funções sociais, ambientais, agroalimentares, produtivas e paisagísticas destas comunidades, pessoas e famílias», considerou a autarquia.











