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PCP acusa câmara de «desprezo pela cultura»

A Comissão Concelhia de Avei­ro do PCP vem condenar publicamente as declarações proferidas pelo presidente da Câmara de Aveiro

A Comissão Concelhia de Avei­ro do PCP vem condenar publicamente as declarações proferidas pelo presidente da Câmara de Aveiro, Luís Souto, num encontro com os agentes culturais do concelho, «nas quais associa de forma indiscriminada e ofensiva os artistas de rua a fenómenos de marginalidade e criminalidade».
«As declarações proferidas, desprovidas de qualquer fundamento factual, não representam um episódio isolado, pelo contrário. O PCP considera que estas declarações se inserem num trajeto político errado dos executivos municipais PSD/ CDS, marcado por uma visão redutora e elitista do fenómeno cultural», assinalam os comunistas. «Ao confundir a expressão artística no espaço público com atos ilícitos, o executivo demonstra um profundo distanciamento da realidade destes trabalhadores. Este desprezo pela cultura tem sido evidente em opções políticas de fundo, como a extinção do pelouro da cultura e do respetivo cargo de vereador na câmara, uma decisão que deixou o setor sem uma interlocução política direta e devidamente capacitada», acrescenta o partido. O PCP denuncia ainda a «ausência de uma visão estratégica e transparente», que é «igualmente visível na gestão dos equipamentos municipais». «Exemplo disso é a inexistência de concursos públicos de recrutamento para a direção artística e programação do Teatro Aveirense ou a falta de qualquer concurso de ideias para a gestão deste património comum», refere. «Ao optar por modelos de nomeação que evitam o escrutínio e a participação democrática, a autarquia remete a cultura para um plano meramente discricionário», acusa.
«A arte de rua é um pilar da democratização do acesso à cultura e um direito à fruição do espaço público. Quando um responsável político utiliza boatos e estereótipos para criminalizar quem faz da rua seu palco, está a atacar a própria dignidade de quem trabalha e a identidade de Aveiro. Uma cidade que se pretende cosmopolita não pode aceitar um discurso que desumaniza os agentes culturais para justificar a falta de investimento», conclui o PCP.

Abril 11, 2026 . 09:30

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