
Entre levadas e azenhas, há quem se esforce para que as tradições sobrevivam
A nova roda da Azenha da Ti Luísa, na aldeia do Boco, em Vagos, será a última que Dorindo da Rocha Alves irá construir na sua vida. «Depois desta já não faço mais, a idade já não permite», diz-nos o homem de 84 anos. De fita métrica nas mãos e com dois lápis sobre a orelha direita, a despontar por debaixo da boina, Dorindo tem sido o responsável por coordenar todas as tarefas necessárias para a construção da engrenagem.
«Sem eu dar as medidas da madeira, eles não fazem nada», afirma, referindo-se aos dois homens que o têm auxiliado e que o apelidam de mestre, apesar de nunca se ter dedicado profissionalmente à carpintaria. Foi nos campos, como agricultor, que fez a sua vida, não entre madeira e ferramentas elétricas. Para além das vinhas, cultivava um pouco de tudo, desde milho a batatas, e não foram poucas as vezes que moeu grão nas azenhas locais. «Às vezes, no Inverno, à uma da manhã, tinha de ir [à roda] para ver como é que ela andava», conta.
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