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«Cabe-nos dar respostas que desenvolvam o território»

O presidente da Câmara de Ílhavo, Rui Dias, passa em revista a atualidade do município

Da educação à mobilidade, da cultura ao turismo, o homem que governa o município desde novembro fala das políticas camarárias para o atual mandato.

Já com uma experiência de cinco meses de governação, quais as dificuldades de gerir a Câmara sem maioria?

A dificuldade é semelhante aquela que teríamos se o contexto fosse de maioria. O nosso foco está no cumprimento da missão de serviço público que nos foi confiada em outubro de 2025, com base no compromisso que apresentámos aos ilhavenses no Roteiro Para um Futuro Maior. Preocupa-nos o bem-estar das pessoas, o desenvolvimento e a coesão do nosso território, a valorização da nossa identidade e do nosso património, o apoio ao tecido associativo, a promoção da cultura, do desporto, da saúde e da mobilidade bem como das potencialidade turísticas e económicas que o território oferece, tudo aliado à capacitação dos recursos humanos e dos serviços municipais para prestarem um melhor e mais eficaz serviço público aos cidadãos. No fundo, a promoção de um território sustentável, economicamente atrativo e socialmente desenvolvido. Sem esquecermos a educação que, de forma particular, assume especial atenção no trabalho que pretendemos desenvolver neste primeiro ano de governação que, precisamente por isso, designamos como Ano Municipal da Educação. Para nós, enquanto responsáveis por governar o município, estes sãos os nossos desafios. Cabe-nos dar respostas que desenvolvam o território, cumpram as necessidades das gentes do município e honrar os compromissos que assumimos. À oposição caberá decidir se a sua preocupação é o bem público e o serviço das populações ou apenas os jogos do poder e a satisfação de interesses pessoais e políticos que não acompanham os nossos propósitos de bem servir as nossas gentes. No que nos diz respeito, a nossa escolha é óbvia e acompanha a escolha que os eleitores fizeram. Temos procurado colocar o interesse do concelho acima de qualquer divergência política, sabendo, naturalmente, que governar sem maioria absoluta implica um esforço permanente para a negociação, torna os processos de decisão mais lentos, mas também mais participados e transparentes.

A habitação é um problema quase universal. Qual a sua dimensão em Ílhavo e que soluções é que podem ser aplicadas?

Apesar do valor médio da avaliação bancária por metro quadrado estar abaixo da média nacional, embora cada vez mais próximo, Ílhavo não está imune à pressão habitacional que se vive não só em Portugal como também na Europa, mesmo na mais estável e desenvolvida, sobretudo devido à proximidade com Aveiro e à crescente atratividade que o nosso território tem demonstrado, por exemplo com o aumento crescente do valor da população residente. Sabemos, e temos assinaladas, as dificuldades no acesso à habitação por parte de jovens e famílias de rendimentos baixo e médios, e estamos atentos a essa realidade, cuja solução depende tanto de políticas públicas como de funcionamento do mercado privado, e das soluções sociais que se possam implementar.

Parte dessas soluções passa por sermos capazes de mobilizar os instrumentos do PRR e da Estratégia Local de Habitação, que está em fase de planeamento de revisão, precisamente para podermos contribuir para soluções habitacionais que deem resposta às necessidades das pessoas, e sermos também capazes encontrar mecanismos de reforço da oferta de habitação pública. E neste ponto, é importante dar nota: entre 2021 e 2024, o município aumentou a sua população residente em mais de três mil habitantes, contrariando a tendência nacional. Mas, por outro lado, no mesmo período e apesar do aumento da população, o número de edifícios novos concluídos para habitação familiar diminuiu cerca de 11 por cento. É dentro desta realidade que estamos a realizar um esforço acrescido e permanente para tentarmos cumprir os prazos definidos para as metas do PRR nos grandes projetos habitacionais que temos em curso no âmbito do programa Primeiro Direito: aquisição de várias frações e habitações para reabilitação, construção de 32 fogos habitacionais na Gafanha da Nazaré e outros tantos na Gafanha da Encarnação, reabilitação de um prédio para habitação social na Gafanha da Nazaré. É um objetivo que temos como foco, sabendo que não será tarefa fácil de cumprir face ao planeamento dos projetos que herdámos.

Assumiu a educação como um principais eixos estratégicos do seu projeto autárquico. Que ação prática será dada a essa proclamação política?

Ao determinarmos o ano de 2026 como o Ano Municipal da Educação, torna-se claro que este é, de facto, um dos eixos prioritários e principais do nosso compromisso e do nosso plano governação, e é mais do que um projeto porque é algo que temos muito bem definido e estruturado. Estamos a investir na melhoria das infraestruturas escolares, na modernização e manutenção dos equipamentos e no reforço de respostas sociais de apoio às famílias e às nossas crianças e jovens, seja na alimentação seja no acolhimento em períodos não letivos, sem esquecermos ainda dois universos profissionais pilares do processo de educação: os docentes e o pessoal auxiliar ou operacional. Mas queremos ir mais longe: queremos afirmar Ílhavo como um território educador, atrativo – felizmente o município viu crescer a sua comunidade escolar na ordem dos 12 por cento, depois de várias décadas com a pressão da proximidade escolar de Aveiro - com projetos que cruzem escola, cultura, ciência e comunidade, reforçando competências para o futuro, nomeadamente nas áreas digitais e tecnológicas, com especial reforço para a valorização de programas e parcerias que dinamizem o Estaleiro – Estação Científica de Ílhavo, concretamente com projetos pedagógicos interdisciplinares, cabendo aqui sublinhar a parceria estabelecida com a Universidade de Aveiro para a adoção do modelo de ensino STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) para todos os alunos do quarto ano do ensino básico.

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Abril 6, 2026 . 07:45

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