
Migrantes “não roubam” o trabalho dos portugueses
“Migrantes e o trabalho digno: quais são as implicações para os trabalhadores portugueses”. O tema estava lançado para dar início ao debate. A Liga Operária Católica (LOC/MTC) reuniu recentemente os militantes de Aveiro, Coimbra e Guarda para «olhar para a migração não como um número, mas como uma questão de pessoas com nome, rosto e história».
Reunidos no Seminário de Santa Joana Princesa, na cidade de Aveiro, os participantes deram início aos trabalhos com a palestra de Filipa Saraiva, investigadora da Universidade de Coimbra, que tem dedicado o seu trabalho académico à temática das migrações. Até porque - segundo nota informativa enviada ao Diário de Aveiro pela própria LOC/MTC - Portugal encontra-se «num momento de transformação profunda, assumindo a migração uma nova faceta: mais multicultural e desafiadora».
A viver em risco de pobreza e de exclusão social
A investigadora revelou «dados preocupantes» como o facto de cerca de 30 por cento dos migrantes em Portugal viverem em risco de pobreza e de exclusão social. A oradora explicou, na ocasião, que «estas pessoas enfrentam grandes barreiras, como a falta de conhecimento da língua e dos seus direitos, o que as torna alvos fáceis para a exploração».
Foi também desmistificado o medo de que os migrantes "roubam" o trabalho aos portugueses. Na verdade, como disse Filipa Saraiva, «eles preenchem lacunas em setores que a nossa população já não aceita». Em seu entender, «proteger o migrante de salários baixos e condições indignas é a única forma de proteger também a dignidade de todos os trabalhadores nacionais».
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