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“Marés Criativas” dá vida ao artesanato ilhavense

Iniciativa cultural no Cais Criativo da Costa Nova reúne criadores locais em demonstrações ao vivo, oficinas abertas e contacto direto com o público

A Associação Alheta está a dinamizar, desde sexta-feira, a iniciativa “Marés Criativas”, no Cais Criativo da Costa Nova, num evento que termina ho­je e que fortalece a aposta na valorização do artesanato pe­los próprios artesãos, através de exposição, trabalho ao vivo e oficinas abertas à comunida­de.

Pela primeira vez neste espaço, a associação reuniu cerca de 20 artesãos, o que representou o desafio de abandonar o formato tradicional de feira, ao ar livre, e reinventar a forma de expor. «Achamos que o artesanato, pela dedicação que os artesãos têm com cada trabalho, deveria ser mostrado de forma digna e dinâmica para o nosso público», explicou a responsável, Catarina Nunes.

A iniciativa rompe com o modelo clássico de bancas, propondo uma abordagem mais criativa e imersiva. «Lançámos-lhes um desafio: esquecer mesas e cadeiras. Como são criativos, inventaram novas formas de expor», descrevendo o espaço como «uma tela em branco, on­de cada artesão construiu o seu próprio ambiente, com a sua arte e o seu selo».

Mais do que uma exposição, o evento pretende aproximar o público do processo criativo. Tendo começado na passa­da sexta-feira, os visitantes têm tido a oportunidade de ver os artesãos trabalharem ao vivo a sua arte e interagir com eles, mas também participar em oficinas de tricô, croché e costura, dinamizadas pela associação. «A peça em si pode não valer nada, mas a história que traz por trás vale mui­to», sublinhou Catarina Nu­nes, destacando a importância de dar a conhecer o tem­po e todo o saber envolvidos em ca­da criação.

A ideia inicial não passava por abrir portas ao público. «Isto começou como uma residência artística nossa, para discutir o artesanato e como o expor. Mas depressa percebemos que as pessoas tinham tanta curiosidade como nós e decidimos abrir à comunidade», explicou.

Criada há cerca de um ano, a Associação Alheta conta atualmente com cerca de 50 associados, todos do concelho de Ílhavo. Um dos objetivos passa pela certificação dos artesãos e pela valorização do setor. «Sentíamos necessidade de ter uma entidade que nos representasse e ajudasse no processo de certificação para aceder a feiras nacionais e internacionais», referiu a responsável.

O artesanato é difícil, mas também é uma paixão

Entre os participantes está Hortência “Batita”, artesã com mais de uma década de experiência, que vê neste tipo de iniciativas uma oportunidade essencial para o setor. «Não é fácil, mas cada artesão tem de mostrar que o seu trabalho tem valor», afirmou, alertando para a perceção generalizada de que o artesanato é apenas «mais uma feira, mas para nós é uma paixão, uma arte é o que somos e o que queremos partilhar». “Batita” refletiu, ainda, sobre a importância do contacto direto com o público. «As pessoas não fazem ideia do tempo que demora fazer uma peça artesanal. Só quan­do explicamos o processo, começam a perceber o seu valor».

Apesar dos desafios, a associação tem vindo a crescer e a somar convites. «Cada vez estamos a receber mais propostas e há mais artesãos a querer participar em eventos em espaços fechados, onde o trabalho está protegido e melhor apresentado», reforçou Catarina Nunes.

Depois desta estreia no Cais Criativo, a Alheta já prepara novos projetos, incluindo presen­ça nas festas da Vista Alegre, em julho, e outras iniciativas ao longo do ano.

Março 29, 2026 . 09:30

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